Os quatro primeiros jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo mudaram a rotina de milhões de paulistanos. Com empresas flexibilizando o expediente, adotando home office ou liberando colaboradores em diferentes horários para acompanhar as partidas, os passageiros reorganizaram seus deslocamentos e alteraram o padrão de utilização do transporte público.
Levantamento realizado pela Autopass, empresa de tecnologia para mobilidade urbana, mostra que, antes do jogo entre Brasil e Marrocos, o volume de validações no transporte público foi 4,8% superior ao registrado na semana anterior. Já durante a partida, a movimentação caiu 44,9%. O mesmo comportamento foi observado no confronto contra o Haiti: antes do início do jogo, o fluxo permaneceu praticamente estável (+0,9%), mas durante a janela da partida houve redução de 59,9% nas validações. Já na partida entre Escócia e Brasil, a movimentação durante o jogo foi 65,1% menor do que no mesmo período da semana anterior, refletindo uma reorganização ainda mais intensa dos deslocamentos.
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O padrão também foi observado no confronto entre Brasil e Japão, disputado às 14h desta segunda-feira (29). Como o levantamento foi realizado com o dia ainda em andamento, a comparação considerou o mesmo intervalo nos dois dias, entre 0h e 19h30. Em relação à segunda-feira anterior, a movimentação no período da manhã foi 21,6% menor. Já nas horas que antecederam a partida, entre 11h e 14h, o volume de validações cresceu 43,7%, indicando uma concentração maior de deslocamentos antes do início do jogo. Durante a partida, o fluxo caiu 63,6%, reforçando o padrão de reorganização dos horários de viagem observado nos demais jogos da Seleção Brasileira.
A comparação com os mesmos dias da semana anteriores mostra que o principal impacto dos jogos não foi apenas a redução do volume de passageiros, mas a mudança no padrão de deslocamento da população. Independentemente do horário das partidas, os passageiros reorganizaram suas viagens para acompanhar a Seleção. Nos jogos realizados à noite, houve concentração dos embarques antes do início das partidas. Já no confronto disputado à tarde, os deslocamentos foram antecipados para o período imediatamente anterior ao jogo, evidenciando uma adaptação da rotina dos usuários.
Essa mudança também pode ser observada ao longo do dia. Nos jogos realizados às 19h e 21h30, o pico de utilização do transporte ocorreu às 17h, refletindo a antecipação dos deslocamentos antes das partidas. Já no confronto entre Brasil e Japão, disputado às 14h, a maior concentração de validações foi registrada às 12h, com mais de 199 mil embarques, evidenciando que os passageiros adaptaram seus horários ao início do jogo.
“Grandes eventos colocam à prova a capacidade das cidades de movimentar milhões de pessoas em curtos intervalos de tempo. Quando há mudança na rotina de trabalho e milhares de pessoas decidem sair mais cedo ao mesmo tempo, o sistema viário sente os efeitos rapidamente. O transporte público, por sua capacidade de escala, segue sendo uma alternativa essencial para dar mais previsibilidade e eficiência aos deslocamentos em grandes centros urbanos. Ao mesmo tempo, os dados de mobilidade permitem entender, quase em tempo real, como a cidade reage a esses movimentos. Eles mostram que as pessoas não deixam de se deslocar, mas reorganizam completamente sua rotina.”








