Motiva

Com falta de trens, Metrô DF tenta frota E de SP

Renato Lobo

Um dos caminhos buscados pela diretoria do Metrô-DF para tentar solucionar a escassez de componentes da Série 1000 envolveu negociações diretas com a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô-SP). O objetivo da estatal do Distrito Federal era o reaproveitamento, mediante compra, de peças e partes mecânicas provenientes dos trens da série E-Millennium do sistema paulista.

🚎 Fique por dentro das notícias mais recentes sobre mobilidade:

Canal do Via Trolebus no WhatsApp

Canal do Via Trolebus no Telegram

De acordo com o documento Relatório Visita Técnica ao Metrô-DF, que o site deve acesso, essas duas frotas possuem semelhanças tecnológicas significativas, o que viabilizaria o intercâmbio dos componentes para abastecer as oficinas em Brasília. As tratativas entre as duas companhias, no entanto, ainda não resultaram em uma solução prática.

O entrave ocorre porque o Metrô-SP tem manifestado preferência pela alienação das composições completas que foram substituídas em sua recente renovação de frota, recusando-se a realizar a comercialização isolada das peças sobressalentes demandadas pelo Metrô-DF.

Uma vistoria técnica realizada pela Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana (CTMU) da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) no pátio e nas instalações da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) detalhou um cenário de severas dificuldades operacionais, redução constante no volume de passageiros e gargalos na manutenção dos trens. Motivada por queixas frequentes dos usuários relativas a falhas, superlotação e atrasos, a fiscalização apontou que o índice de regularidade do sistema despencou para 89,01% no balanço de 2025, ficando bem abaixo da meta oficial de 97% estabelecida pela empresa.

Divulgação

Os relatórios técnicos indicam que a perda de passageiros vem se acumulando nos últimos anos. O exercício de 2024 já havia computado uma retração de 1% nos acessos em comparação com 2023. Em 2025, a queda se acentuou, registrando 2,18% de usuários a menos — o que representa uma redução de 924.396 viagens. Dados consolidados do primeiro quadrimestre de 2026 apontam que a tendência de baixa persiste, acusando uma nova diminuição de 0,3% no fluxo em relação ao mesmo período do ano anterior.

Atualmente, o Metrô-DF dispõe de uma frota nominal de 32 composições, divididas entre 20 trens da Série 1000 e 12 da Série 2000. No entanto, no dia da inspeção, apenas 19 trens estavam efetivamente circulando para atender o pico do sistema, que idealmente requer 22 veículos em operação simultânea.

A indisponibilidade de material rodante decorre de múltiplos fatores distribuídos em diferentes níveis de gravidade: Curto prazo (3 trens): As composições 10, 30 e 31 estavam retidas para reparos rápidos ou troca de rodeiros. Médio e longo prazo (6 trens): Os trens 01, 03, 19, 21, 23 e 32 necessitam de investimentos complexos. O trem 19, por exemplo, sofreu um descarrilamento após o desprendimento de um reator em baixa velocidade.

A recuperação do veículo e da infraestrutura da via (que exigiu a troca de 300 dormentes) está estimada em R$ 3,5 milhões. Já o trem 23 teve sistemas e placas eletrônicas danificados por alagamentos ocorridos em dezembro de 2025.

Sem perspectiva de retorno (4 trens): Os trens 04, 08, 15 e 24 foram considerados irrecuperáveis devido à inviabilidade técnica e econômica dos consertos. Dois deles foram gravemente danificados por incêndios originados por vazamento de óleo em antigos capacitores da Série 1000.

Para tentar mitigar a crise de capacidade, a diretoria técnica finalizou o Termo de Referência para a licitação de 15 novos trens. O projeto foi incluído no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), com custo por unidade estimado em R$ 48 milhões.

O Metrô-DF planeja adotar um modelo de disputa por menor preço global, similar ao aplicado em São Paulo, com expectativa de receber as primeiras unidades dois anos após a assinatura do contrato. No âmbito da infraestrutura física, as obras de ampliação da linha de Samambaia seguem em andamento com suporte financeiro do BNDES. Simultaneamente, o processo licitatório para a expansão da linha de Ceilândia foi retomado para o recebimento de propostas, após a incorporação de recomendações feitas pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF).

Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.
Via Trolebus