Brasil projeta 187 novos ramais de trilhos e pneus

Projeção do VLT na Linha 14 - Imagem feita por IA

O Ministério das Cidades e o BNDES detalharam, no mais recente Boletim Informativo do Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), um ambicioso plano para transformar o transporte nas 21 principais Regiões Metropolitanas (RMs) do Brasil. O levantamento mapeou 187 projetos de média e alta capacidade — incluindo metrôs, trens, VLTs e BRTs — que demandarão investimentos totais entre R$ 396 bilhões e R$ 433 bilhões.

O Gigantismo de São Paulo e Rio de Janeiro

Como centros de maior demanda, as metrópoles paulista e fluminense são os grandes destaques do banco de projetos:

  • São Paulo: É a região com o maior volume de intervenções planejadas. São 41 novos investimentos que visam expandir a rede estrutural dos atuais 705 km para 1.268 km. O aporte necessário é estimado em R$ 175,7 bilhões, com um prazo de execução de aproximadamente 27 anos, caso seja mantido um ritmo de investimento de 0,35% do PIB local.

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  • Rio de Janeiro: O plano prevê 15 projetos estratégicos, com destaque para a expansão da rede metroferroviária e a requalificação de sistemas existentes. A estimativa é de que a malha estrutural salte de 500 km para 695 km, exigindo investimentos de R$ 68,4 bilhões e um horizonte de 23 anos para conclusão.
Imagem gerada por IA para fins ilustrativos

Desenvolvimento para além do Eixo Rio-SP

Embora o Sudeste concentre os maiores valores, o ENMU propõe soluções fundamentais para todas as regiões do país, buscando reduzir a fragmentação dos sistemas:

  • Belo Horizonte e Distrito Federal: Ambas as regiões possuem projeções robustas, com 14 e 13 novos projetos, respectivamente, focando na expansão de metrôs e implantação de BRTs elétricos.
  • Nordeste: Destacam-se as RMs de Fortaleza (11 projetos) e Salvador (9 projetos), com foco em conectividade multimodal. Em Recife, o estudo sugere a requalificação das linhas Centro e Sul do metrô e a implantação de novos eixos de VLT e BRT.
  • Norte e Sul: Manaus e Florianópolis, que atualmente possuem poucos quilômetros de redes de alta capacidade (TPC-MAC), têm projetos para implantar 48 km e 77 km de corredores estruturais, respectivamente.

Viabilização e Parcerias

Para tirar esses projetos do papel, o ENMU propõe um modelo de financiamento híbrido. A premissa adotada nas simulações é de que 80% dos recursos venham de aportes públicos (União, Estados e Municípios) e 20% de capital privado via Parcerias Público-Privadas (PPPs).

Além do orçamento direto, o estudo mapeia fontes alternativas, como taxas sobre serviços de transporte por aplicativos, multas de trânsito e até créditos de carbono, que poderiam gerar dezenas de bilhões de reais anualmente para sustentar a operação e a modicidade tarifária.

A meta final é que, até 2054, o Brasil priorize meios de transporte coletivos e não motorizados, garantindo uma rede integrada, ambientalmente sustentável e eficiente para todas as pessoas.

Detalhamento da Mobilização de Recursos e Estrutura Operacional

Para viabilizar a execução dos 187 projetos mapeados, o boletim do ENMU estabelece que serão necessários mais de R$ 20 bilhões anuais a partir de 2030, em valores que não consideram os investimentos que já estão em curso nas Regiões Metropolitanas.

O Peso das Tecnologias Sustentáveis

O estudo foca na transição para uma frota de baixa emissão e na eficiência de rede:

  • Projetos Sobre Trilhos: Representam a maior fatia do investimento estimado (CAPEX), entre R$ 300 bilhões e R$ 355 bilhões, incluindo infraestrutura e frota.
  • Projetos Sobre Pneus: Estão orçados entre R$ 78 bilhões e R$ 96 bilhões, com forte recomendação para a implantação de BRTs elétricos.
  • Troncalização: O modelo proposto busca eliminar a sobreposição de linhas, o que pode reduzir os custos operacionais em 10% a 20% e permitir que os intervalos em eixos principais caiam para até 5 minutos.
Foto: Bruno Concha/Secom PMS

Governança e Bilhetagem Integrada

O diagnóstico aponta que a fragmentação é um dos maiores gargalos atuais:

  • Bilhetagem: Atualmente, apenas 3 das 21 Regiões Metropolitanas analisadas possuem sistemas de bilhetagem integrados. O ENMU propõe a unificação metropolitana para induzir um aumento de até 30% na demanda.
  • Câmara de Compensação (Clearing): Sugere-se a criação de um sistema centralizado sob comando público para gerir as receitas e garantir o rateio transparente entre diferentes modos e operadores.

Fontes Alternativas de Financiamento

O estudo identifica que a arrecadação tarifária sozinha raramente cobre os custos de investimento, exigindo novas receitas:

  • Taxas e Contribuições: Entre as propostas estão a cobrança pela disponibilidade do transporte a proprietários de veículos e imóveis, exploração de estacionamento rotativo e até a comercialização de créditos de carbono.
  • CIDE-Combustíveis: O redirecionamento deste tributo para o transporte coletivo é visto como uma fonte recorrente com potencial bilionário.

Benefícios Sociais e Econômicos

Além da mobilidade, a implementação total das Redes Futuras deve gerar um valor social presente superior a R$ 400 bilhões até 2054. Esse cálculo inclui a redução do tempo de deslocamento, diminuição de sinistros de trânsito, valorização imobiliária e a redução da poluição sonora e ambiental nas grandes cidades.

Via Trolebus