História de SP: Quando o “progresso” dos carros extinguiu os Bondes

Bonde circula por SP em 1966

Em março de 1968, São Paulo assistia ao fim de uma era. Uma frota de 12 bondes circulou pela última vez pelas avenidas Ibirapuera, Vereador José Diniz e Adolfo Pinheiro com destino a Santo Amaro. Naquela despedida, os veículos ostentavam faixas com dizeres como “A viagem do Adeus” e “Rendo-me ao progresso, Viva São Paulo”. Na prática, esse “progresso” simbolizava a substituição de um sistema eficiente sobre trilhos para priorizar o espaço urbano para os automóveis.

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De acordo com o portal Estações Ferroviárias, a capital paulista operou uma malha impressionante de 60 linhas de bondes, alcançando 700 km de extensão. O sistema conectava diversos pontos da cidade, incluindo Penha, Lapa, Mooca, Vila Mariana, Santana e Pinheiros. Até mesmo bairros da Zona Norte, como Vila Maria e Casa Verde, eram atendidos, e os trilhos chegaram a ocupar a emblemática Avenida Paulista.

Bonde de Santo Amaro

Atualmente, a função que cabia aos bondes foi herdada pelos ônibus e por uma frota reduzida de trólebus (apenas 200 veículos). No entanto, o transporte coletivo atual enfrenta o mesmo obstáculo que selou o destino dos bondes: o conflito com o transporte individual. Carros ocupam a maior parte do viário, transportam poucas pessoas por unidade e acabam obstruindo o fluxo dos coletivos.

A retomada do transporte sobre trilhos de alta capacidade só ocorreu seis anos após a extinção dos bondes, com a inauguração do Metrô em 1974. Hoje, junto com a CPTM, esses sistemas são os pilares do transporte de massa, tentando recuperar o espaço que um dia pertenceu aos antigos bondes.

Via Trolebus