A cidade de São Paulo conta atualmente com ao menos quatro propostas de implantação de veículos leves sobre trilhos (VLT). O modal, amplamente utilizado em cidades ao redor do mundo, é considerado uma alternativa de média capacidade para ampliar a mobilidade urbana e promover a requalificação de áreas consolidadas. Confira os principais projetos em discussão:
VLT na Avenida Faria Lima
A Prefeitura de São Paulo estuda a implantação de um VLT ao longo da Avenida Brigadeiro Faria Lima. A proposta ganhou destaque após a realização de um leilão da Operação Urbana Consorciada Faria Lima, que arrecadou R$ 1,668 bilhão.
O montante ficou abaixo da expectativa do município, que previa cerca de R$ 3 bilhões em receitas. Dos 164.509 Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) ofertados, apenas 57,6% foram comercializados, sem ágio sobre o valor mínimo estipulado, de R$ 17,6 mil por metro quadrado.
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Entre as intervenções previstas com os recursos arrecadados está o aporte de R$ 200 milhões para o custeio da Linha 4-Amarela do metrô e a possibilidade de implantação do VLT na Faria Lima, ainda em fase de estudos. O sistema poderia seguir até a Avenida dos Bandeirantes, segundo informações do site Metrô CPTM.
Até o momento, não há detalhes sobre o traçado nem confirmação de integração com outro projeto de VLT previsto para a região central. Para que isso ocorra, seria necessário criar um eixo de ligação, possivelmente pelas avenidas 9 de Julho ou Rebouças. Sem essa conexão, seria exigida a construção de um novo pátio de manutenção, além do já planejado no Bom Retiro.
VLT na zona norte
A proposta de um VLT na Zona Norte foi apresentada pelo arquiteto e urbanista Luiz Antônio Cortez, conselheiro do CAU-SP, durante o evento “VLT – Mobilidade e Requalificação Urbana”, realizado em 16 de maio no Instituto de Engenharia.
O projeto prevê a implantação do sistema nos bairros do Limão, Casa Verde e Imirim, com foco na requalificação urbana e em um modelo de financiamento próprio. Os recursos viriam da outorga onerosa do direito de construir, mecanismo que permite edificações acima do coeficiente básico mediante contrapartida financeira.
O VLT seria instalado na Avenida Engenheiro Caetano Álvares, em faixa semi-segregada, ligando o Terminal Barra Funda ao Mandaqui. Um dos objetivos é estimular o adensamento urbano, especialmente residencial, além de incluir melhorias no sistema de drenagem da via.
Segundo a proposta, a linha teria cerca de 8 quilômetros de extensão e 12 estações, incluindo Mandaqui, Imirim, Terminal Casa Verde e Palmeiras-Barra Funda. O pátio e o Centro de Controle Operacional poderiam ser instalados nas proximidades da Marginal Tietê.
A estimativa é de transporte de até 36 mil passageiros por dia, com trens formados por cinco carros e capacidade para 221 usuários por composição. A frota prevista é de 11 trens, com investimento estimado em quase R$ 2 bilhões.
VLT entre Barra Funda e Tatuapé
Outro projeto em estudo é o Boulevard Marquês de São Vicente, um corredor verde que pode abrigar um veículo leve, seja sobre trilhos ou pneus, conectando as zonas Oeste e Leste da capital. A proposta inclui calçadas amplas, parque linear, ciclovia integrada e prioridade ao pedestre.
O Via Trolebus teve acesso ao projeto, desenvolvido pela SP Urbanismo em parceria com a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL), Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e SPTrans.
O corredor teria 6,9 quilômetros de extensão, com largura entre 38 e 44 metros, e seria implantado de forma paralela à Marginal Tietê. Segundo a Prefeitura, o projeto integra soluções de mobilidade, lazer, drenagem sustentável e adaptação às mudanças climáticas, além de possibilitar a futura desativação do Elevado Presidente João Goulart, o Minhocão.
Os documentos técnicos adotam o termo VLE (Veículo Leve Elétrico), o que permite a escolha entre um VLT tradicional ou um ART (Autonomous Rail Rapid Transit), sistema guiado por marcações no pavimento e operado sobre pneus.
Bonde São Paulo
Durante evento no Instituto de Engenharia, a Prefeitura detalhou o projeto conhecido como “Bonde São Paulo”, que prevê a criação de uma rede de VLT no centro da capital.
De acordo com Pedro Martin Fernandes, diretor-presidente da SP Urbanismo, a proposta busca forte integração com outros modais. O sistema deverá se conectar a nove estações de metrô, cinco terminais de ônibus e duas estações da CPTM, além de manter relação direta com os fluxos de pedestres.
O projeto está alinhado à estratégia municipal de atrair cerca de 200 mil novos moradores para a região central. Segundo Rafael Barreto Castelo da Cruz, diretor de Desenvolvimento Urbano da SP Urbanismo, a primeira linha terá traçado circular, com dois sentidos — horário e anti-horário — acompanhando a rótula central.
Os veículos previstos serão de piso baixo, capazes de vencer rampas de até 6% e curvas com raio mínimo de 25 metros. A frota estimada para a rede inicial é de 36 composições.






