Em fevereiro de 2022, teve início a reconstrução de um novo terminal de ônibus em São Bernardo do Campo para atender o futuro BRT ABC. O começo dos trabalhos ocorreu três anos após o anúncio do projeto que substituiu a antiga Linha 18-Bronze do Metrô, que seria operada por meio de um monotrilho. O corredor vai ligar São Bernardo do Campo até São Paulo, passando por Santo André e São Caetano do Sul.
Passados quatro anos, o terminal segue em obras e ainda sem forma de terminal. O site Notícias dos Transportes compartilhou com o Via Trolebus imagens do local que mostram, segundo a publicação, apenas a instalação das colunas de base para a construção da nova estrutura.
O prazo de entrega, entretanto, parece apertado. A promessa mais atual é entregar a obra em outubro deste ano, sete anos após a troca de tecnologia, que previa um monotrilho com maior capacidade e mais rapidez para o passageiro, além de uma tarifa única entre a Linha 18 e toda a malha de trem e metrô, substituído agora por um corredor de ônibus.
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Sobre os atrasos, há em curso um acompanhamento do poder concedente. A ARTESP, por exemplo, estabeleceu recentemente que a concessionária deve recompor imediatamente o número de colaboradores previsto no Plano de Ação aprovado, ou adotar quantitativo superior, como condição mínima para a retomada do ritmo adequado das obras.
A deliberação também impõe novas providências à Superintendência de Transporte Coletivo (SUCOL). O órgão deverá elaborar e apresentar um novo cronograma físico-financeiro, com atribuição de pesos proporcionais ao impacto de cada etapa no cronograma geral, de forma a refletir com maior precisão a evolução física das obras. O documento deverá identificar interferências, definir prazos, marcos intermediários e responsabilidades para a superação dos entraves.
A decisão é resultado da análise técnico-regulatória consolidada sobre o cumprimento do Plano de Ação apresentado pela concessionária, no contexto do processo administrativo de pré-caducidade instaurado em razão dos atrasos registrados na execução do empreendimento.
BRT ABC VS Linha 18
| Característica | Linha 18-Bronze (Monotrilho) | BRT ABC (Corredor de Ônibus) |
| Capacidade de Transporte | 314 mil passageiros por dia | 170 mil passageiros por dia |
| Tempo de Viagem (Expresso) | 26 minutos | 40 minutos (55% superior) |
| Integração Tarifária | Gratuita com toda a rede de Metrô e CPTM | Tarifada (possível desconto na integração, similar ao Corredor ABD) |
| Segregação da Via | Totalmente elevada (livre de interferências e enchentes) | Superfície (sujeito a interferências e semáforos) e elevada |
| Custo do Projeto | R$ 4,69 bilhões | R$ 860 milhões |
| Tipo de Veículo | Trens de monotrilho de alta capacidade | Ônibus elétricos articulados (23 metros) de média capacidade |
Reposta da Next Mobilidade
A Next Mobilidade, concessionária responsável pela implantação do BRT-ABC, divulgou uma nota para esclarecer pontos apresentados no conteúdo.
Segundo a empresa, a informação de que o Terminal de São Bernardo do Campo estaria em obras há quatro anos não corresponde à realidade. De acordo com a concessionária, após a demolição das antigas estruturas, foi necessário aguardar a elaboração de novos projetos. As intervenções efetivas no terminal tiveram início em novembro de 2022 e, inicialmente, contemplavam apenas a área utilizada pelas linhas intermunicipais, sem incluir o espaço do antigo corredor ABD.
A Next Mobilidade explicou que, posteriormente, houve uma redefinição do projeto após negociações entre o Governo do Estado de São Paulo e a Prefeitura de São Bernardo do Campo. Com isso, a área do terminal foi ampliada de cerca de 5 mil m² para aproximadamente 11 mil m², com o objetivo de oferecer mais conforto aos usuários e melhorar a organização dos acessos de ônibus, buscando maior fluidez no trânsito no entorno.
Outro ponto destacado foi a necessidade de manter o funcionamento do corredor ABD durante as obras. Para isso, foi implantado um terminal provisório com plataformas, sanitários e demais estruturas de apoio. Segundo a concessionária, o local já operava como terminal e não poderia ter suas atividades interrompidas, o que exigiu planejamento logístico para garantir a continuidade do atendimento aos passageiros enquanto o novo projeto era desenvolvido.
A empresa argumenta que o processo envolveu uma série de etapas técnicas e administrativas, como aprovações do projeto ampliado, elaboração de um novo projeto executivo, estudos de logística operacional e implantação de estruturas temporárias. Para a concessionária, a comparação entre projetos distintos, sem considerar fatores como custos, demanda atualizada, licenciamento ambiental e responsabilidade fiscal, compromete a qualidade do debate técnico sobre mobilidade urbana.
Em relação à capacidade de transporte, a Next Mobilidade afirmou que projeções de capacidade não representam, necessariamente, a demanda real. Segundo a empresa, o BRT permite ajustes operacionais ao longo do tempo, como variação de frota, frequência e intervalos, enquanto sistemas sobre trilhos exigem composições mínimas e infraestrutura fixa independentemente da taxa de ocupação.
Sobre o tempo de viagem, a concessionária afirmou que o BRT-ABC contará com três tipos de serviço — parador, semiexpressa e expressa — além de faixas de ultrapassagem em alguns trechos, o que tende a reduzir o tempo de deslocamento. A empresa também ressaltou que estimativas de tempo para projetos que não foram executados representam cenários teóricos e não refletem as condições reais de operação no ambiente urbano.
A Next Mobilidade também destacou que a integração tarifária depende de decisões regulatórias e contratuais, e não do modal em si, afirmando que o BRT pode operar com integração plena conforme a política pública adotada.
Por fim, a concessionária comparou os investimentos previstos para o BRT-ABC, estimados em cerca de R$ 860 milhões, com os custos projetados para a antiga Linha 18, que ultrapassariam R$ 4 bilhões. Segundo a empresa, a diferença de valores foi determinante para a escolha do modelo atual, considerando prazos de implantação, risco fiscal e flexibilidade operacional.






