O Governo do Paraná pretende avançar ainda no primeiro semestre deste ano com os estudos para a implantação de um sistema de BRT (Ônibus de Trânsito Rápido) ligando Curitiba aos municípios de Colombo, ao Norte, e Fazenda Rio Grande, ao Sul da capital. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (23) pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior.
A contratação dos projetos será realizada por meio da Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep). Nesta fase inicial, o investimento estadual será de aproximadamente R$ 6,1 milhões. O edital foi publicado em 17 de dezembro, com abertura das propostas prevista para 25 de fevereiro. O corredor poderá, futuramente, ser operado pelo Bonde Digital Urbano (BUD), sistema também conhecido como “trem sem trilhos”.
O projeto é considerado um dos mais abrangentes da mobilidade urbana na Região Metropolitana de Curitiba, pois prevê a conexão do transporte coletivo ao longo de todo o eixo Norte–Sul, ligando os dois municípios com maior demanda de passageiros à capital. Estão previstas pistas exclusivas para ônibus, novas estações de embarque e desembarque e a construção de um novo terminal metropolitano em Fazenda Rio Grande. Somados, os trechos urbanos terão cerca de 23 quilômetros de extensão.
🚎 Fique por dentro das notícias mais recentes sobre transportes:
✅ Canal do Via Trolebus no WhatsApp
✅ Canal do Via Trolebus no Telegram
No eixo Norte, entre Curitiba e Colombo, o corredor terá 5,9 quilômetros de vias exclusivas ao longo da BR-476. O trajeto partirá da Estação Atuba, na Linha Verde, e seguirá até as proximidades do Terminal Guaraituba.
Já no eixo Sul, a ligação entre Curitiba e Fazenda Rio Grande contará com 17,5 quilômetros na BR-116. O trecho começa no bairro Pinheirinho, logo após o último retorno operacional da Linha Verde, nas proximidades da Rua Engenheiro João Bley Filho, e termina no bairro Estados, em Fazenda Rio Grande.
De acordo com o governador Ratinho Junior, a proposta é consolidar um grande eixo estruturante de transporte público, com maior agilidade, redução do tempo de viagem e mais conforto aos usuários. Ele destacou ainda que o corredor poderá receber, no futuro, o Bonde Urbano Digital, seguindo experiências já em andamento na Região Metropolitana.
O projeto também busca completar o traçado da Linha Verde, conectando o trecho Norte, entre Atuba e Alto Maracanã, em Colombo, e o trecho Sul, entre Pinheirinho e Fazenda Rio Grande. A iniciativa deve aliviar gargalos viários, especialmente na região do Ceasa, que registra congestionamentos frequentes nos horários de pico.
Após a conclusão dos estudos e projetos, o Estado pretende avançar para a etapa de contratação das obras. Nesta fase inicial, serão analisados aspectos como demanda de passageiros, integração com outras linhas de ônibus, impactos no trânsito e no ambiente urbano. O edital também prevê a elaboração de anteprojetos em trechos considerados prioritários, onde há maior viabilidade de implantação no curto e médio prazo.
Atualmente, o deslocamento entre o Terminal de Fazenda Rio Grande e o Terminal do Pinheirinho pode levar cerca de uma hora nos horários de pico. Com a implantação da canaleta exclusiva, a velocidade operacional poderá se aproximar do limite regulamentar da via, de até 60 km/h, reduzindo o tempo de viagem para aproximadamente 15 minutos.
Na BR-476, em Colombo, há sobreposição de 10 a 26 linhas de ônibus — o maior índice entre as vias com potencial para corredores exclusivos na Região Metropolitana. Os intervalos médios variam entre 10 e 12 minutos, e a velocidade comercial atual fica entre 27 e 38 km/h. Com o BRT, a expectativa é que a velocidade alcance o padrão de 60 km/h.
Segundo o diretor-presidente da Amep, Gilson Santos, a Região Metropolitana de Curitiba reúne 29 municípios e figura entre as mais relevantes do país, sendo a nona mais populosa e uma das que apresentam melhor Índice de Desenvolvimento Humano entre as principais regiões metropolitanas brasileiras.
Ele destacou ainda que o crescimento populacional tende a se concentrar principalmente no Sul da região, em bairros de Curitiba como Umbará e Tatuquara, além de municípios como Fazenda Rio Grande, Mandirituba e Quitandinha, reforçando a necessidade de novos eixos estruturantes de transporte.
O secretário de Cidades, Guto Silva, ressaltou que o principal benefício do novo corredor será a redução do tempo de deslocamento para quem depende do transporte coletivo diariamente, especialmente trabalhadores que se deslocam de Colombo e Fazenda Rio Grande para Curitiba.
O eixo Sul foi dividido em quatro subtrechos, enquanto o eixo Norte contará com três segmentos distintos. O estudo de viabilidade abrangerá todo o sistema de forma integrada, do extremo Sul ao extremo Norte, mas deverá indicar soluções específicas para cada trecho, considerando suas particularidades urbanas e operacionais.
Entre os pontos técnicos previstos estão estudos para a transposição dos Contornos Leste e Sul de Curitiba, com a possibilidade de construção de um novo viaduto exclusivo para o BRT ou o alargamento das estruturas existentes. O projeto também prevê estações de integração, como no Ceasa, além de paradas em bairros de Curitiba, Colombo e Fazenda Rio Grande, adaptações em terminais, intervenções viárias, requalificações urbanas e estudos de impacto socioeconômico, ambiental e geológico.





