Indústria brasileira de ônibus fecha 2025 com leve alta na produção

Mesmo diante de um cenário econômico desafiador, a indústria brasileira de ônibus encerrou 2025 com crescimento de 1,7% na produção. Ao todo, foram fabricadas 27.516 unidades ao longo do ano, considerando veículos destinados ao mercado interno e às exportações. Em 2024, o volume havia sido de 27.067 unidades. A avaliação é do diretor do Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (SIMEFRE), Ruben Bisi.

De acordo com ele, a necessidade de renovação da frota continua sendo o principal fator de sustentação da demanda, tanto no transporte urbano quanto no rodoviário. “Mesmo diante de um cenário de juros elevados e custos ainda pressionados, a produção conseguiu se manter estável e fechar o ano em leve alta, o que demonstra a resiliência do setor”, afirma.

Os investimentos em infraestrutura e mobilidade urbana tiveram papel relevante ao longo de 2025. Programas como o PAC 3 Mobilidade, além das compras de ônibus escolares realizadas por meio do Caminho da Escola, do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), ajudaram a manter o ritmo da produção industrial. No segmento escolar, o edital do programa garantiu uma média consistente de aquisições, reforçando a demanda para as fabricantes.

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O mercado de turismo também apresentou bom desempenho em 2025, impulsionado pelo aumento da procura interna por transporte rodoviário de passageiros. Outro destaque foi o avanço da eletrificação. “A produção de ônibus elétricos apresentou crescimento expressivo em relação a 2024, consolidando uma tendência que deve se intensificar nos próximos anos”, destaca Bisi.

Segundo o diretor do SIMEFRE, os efeitos da pandemia e os ajustes ao longo da cadeia produtiva contribuíram para o envelhecimento da frota nacional, elevando de forma significativa a idade média dos veículos em circulação. “Mesmo com os resultados positivos de 2024 e 2025, há um grande potencial de recuperação de vendas, que esbarra em fatores como juros elevados, custos dos insumos, preços dos combustíveis e a redução do número de passageiros”, avalia.

A concorrência internacional também aparece como ponto de atenção para o setor. “Apesar do avanço tecnológico da indústria nacional, especialmente em ônibus elétricos, preocupa a entrada de produtos chineses sem enfrentar o custo Brasil e com subsídios cruzados, o que compromete a isonomia concorrencial”, afirma.

Para 2026, a expectativa do SIMEFRE é de manutenção do volume de produção registrado em 2025, com possibilidade de leve retração em alguns segmentos específicos. No entanto, Bisi reforça a importância de políticas públicas voltadas à renovação da frota como estratégia para avançar na descarbonização do transporte coletivo. “Um dos programas mais eficazes seria incentivar a retirada de circulação dos cerca de 75 mil ônibus com mais de 20 anos atualmente em operação no país”, conclui.

Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.
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