Linha 14 da CPTM terá trens em trechos compartilhados com outros veículos

Trens controlados manualmente pelos operadores. É dessa forma que os Veículos Leves sobre Trilhos (VLT) da Baixada Santista e do Rio de Janeiro são conduzidos, e será assim que um trecho da futura Linha 14-Ônix deve ser operado.

O eixo de transporte ligará Santo André a Guarulhos, cruzando bairros da Zona Leste de São Paulo, como São Miguel Paulista, Itaquera e Sapopemba.

Divulgação: Governo de SP

De acordo com as minutas do edital de licitação, “nos trechos compartilhados com o sistema viário, a sinalização será do tipo Marcha à Vista (controle total do maquinista, como motorista de ônibus)”. Já nos demais, “será utilizado o modo semiautomático para maior velocidade e segurança”.

Nesses trechos compartilhados, a velocidade é limitada por questões de segurança. Em alguns sistemas, essa modalidade não ultrapassa os 50 km/h. Já no trecho segregado, a velocidade máxima pode chegar a 70 km/h.

Trecho compartilhado

O trecho que terá operação manual dos VLTs será entre as estações Jardim Itápolis e Hospital da Mulher/Cidade dos Meninos, além do possível trecho entre Miguel Souto e Jardim Irene, que pode ou não ser implementado, pois trata-se de um investimento contingente.

Fonte: SPI

Maior interferência

Em um dos documentos disponibilizados para consulta pública, há um comparativo entre o VLT proposto e o trem pesado que havia sido projetado anteriormente pela CPTM. O segundo seria totalmente segregado, enquanto o primeiro será “semi-segregado”.

O próprio documento classifica que a escolha pelo modelo semi-segregado “apresenta maior incerteza de CAPEX, uma vez que está mais suscetível a interferências e interfaces, o que pode reverter parte da vantagem identificada para esse modo na hipótese de sua expansão para o sul”.

CAPEX, abreviação de Capital Expenditure, refere-se aos gastos de capital de uma empresa. Esse indicador representa o montante investido em ativos físicos, como máquinas, imóveis e equipamentos, essenciais para a expansão ou manutenção das operações.

O comparativo, no entanto, aponta que a vantagem do VLT está no “investimento menor” e no “valor ofertado mais compatível com a demanda estimada para o trecho crítico”.

Essa diferença também impacta a velocidade comercial. Enquanto o VLT semi-segregado deve ter uma velocidade média de 21 km/h, o trem pesado poderia alcançar 41 km/h.

Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.
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