Recordar é viver

A historia do trem “aviões sobre rodas” que rodava entre São Paulo e Rio e outros dois estados

Um trem de procedência húngara, que foi usado em trajetos interestaduais, e que era chamado de “aviões sobre rodas” mas que não era tão bom em aclives.

Os chamados trens húngaros movidos a diesel, com quatro carros sendo dois deles motores, operaram em trilhos paulista entre os anos de 1974 e 1992. Foram usados nos trajetos entre a Estação da Luz, em São Paulo, ao Rio de Janeiro (D. Pedro II) e, depois, da Luz a Santos e da Luz a Rio Claro, esta última em um acordo entre a RFFSA e a Fepasa, que possuíam as linhas antes de depois de Jundiaí, respectivamente.

Fabricados na Hungria pela Ganz-Mavag, estes comboios chegaram ao Brasil em 1974 como pagamento de uma dívida desse país referente a exportações de café brasileiras, por meio de um acordo inusitado entre um governo de extrema-direita e outro e de extrema-esquerda.

O site Estações Ferroviárias cita que uma reportagem sobre o material rodante no jornal “O Estado de S. Paulo” em 1973 descrevia-os como “aviões sobre rodas”. Mas depois de seu afastamento do trecho Rio-São Paulo, onde era preciso vencer a serra do Mar, o trem tinha problemas na tração, feita apenas em um eixo de cada truque dos carros motores. Por isso, prestaram serviços por apenas 4 anos, sendo após transferidos para a linha entre São Paulo e Rio Claro e também para a linha entre a Capital e Santos, deixando de operar nos anos 80.

Nos últimos tempos de operação, os trens faziam apenas o trajeto entre São Paulo e Campinas. Mas, se os húngaros tinha problemas com aclives, nos trechos planos faziam jus ao apelidos. Há relatos no site que o trecho poderia ser feito em 1h20. Seus interiores tinha estofado nos bancos e giravam 90º permitindo que 4 pessoas conversassem de frente.

Mas, os aviões sobre trilhos não duraram muito tempo. As composições tinha problemas em suas manutenções por conta das peças multinacionais, além de problemas de projeto, como o ar condicionado, que ou congelava ou não funcionava.

Em São Paulo, o trem húngaro saiu de cena em 1992, após transportar passageiros de uma linha privada entre Santos e Cubatão.

Trem Húngaro no Rio Grande do Sul

O modelo também operou no Rio Grande do Sul, ligando Porto Alegre a Uruguaiana. O serviço funcionava nos anos 70 e 80, e depois foi alocado para o metrô de superfície em Teresina, Piauí, nos anos 90. Em Julho de 2018, o antigo metrô, conhecido como trem húngaro foi substituído por três VLTs (Veículo Leve Sobre Trilhos).

Trem Húngaro reformado

Sobre o autor do post

Renato Lobo

Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.

1 comentário

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  • Eu sabia que você faria uma reportagem sobre o Ganz-Magav, estou há dois anos estudando sobre o assunto. Porém todos os documentos sobre esta transação sumiram do Arquivo Nacional no RJ e os arquivos da RFFESA foram destruídos. Os do trecho RJ-SP estão totalmente perdidos, o de Porto Alegre – Uruguaiana estão no aquivo do estado do RS. Nos Arquivos de Budapeste há mais informações desta transação do que nos arquivos brasileiros. Há uma composição “perdida” no caminho entre Budapeste e Rio de Janeiro. Embarcaram seis comboios e chegaram cinco.
    A mais interessante informação: O primeiro forno de micro-ondas que chegou no Brasil veio no vagão restaurante do Ganz-Magav.

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