Trens Regionais

7 viagens de trem de longas distâncias na América do Sul

Quem deseja viajar de trem em longas distâncias pode fazer as malas (em tempos sem pandemia) e viajar em rotas sem precisar viajar para longe em outro continente. Algumas dessas viagens contam com trens luxosos, e até spa nos vagões.

1 – Trem da Morte – Bolívia

É uma das formas mais baratas de acessar a Bolívia, o Trem da Morte parte de Puerto Quijarro, na fronteira com o Mato Grosso do Sul, até a cidade boliviana de Santa Cruz de la Sierra. Apesar do nome, o trajeto é bem tranquilo – o apelido veio do século passado, quando a rota foi usada para transportar pessoas afetadas pela febre amarela. O Trem da Morte, corre em uma rota de 600 km de extensão.

2 – Belmond Andean Explorer – Peru

Considerado o trem mais luxuoso da America do Sul, o Belmond Andean Explorer proporciona ao passageiro algumas das mais incríveis belezas naturais e históricas do Peru. O trem parte de Cusco, capital do antigo Império Inca, até a cidade branca, Arequipa. O trajeto é de mais de 500 km.

Pelo caminho, é possível admirar lugares como o Lago Titicaca, o mais alto do mundo, além do Canhão de Colca, um dos mais impressionantes e profundos precipícios do planeta.

3 – Trem Para as Nuvens – Argentina

Uma das rotas de trens mais altas do mundo, o Tren a las Nubes cruza a Cordilheiras dos Andes, com trajeto de 200 quilômetros (só de ida) sai de Salta, ao norte da Argentina, passa pelo Viaducto La Polvorilla, que fica a 4.200 metros acima do nível do mar, para alcançar a Quebrada del Toro e chegar até a Puna.

4 – Estrada de Ferro Vitória a Minas

A ligação ferroviária que interliga a Região Metropolitana de Vitória, no Espírito Santo, a Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais teve início no final do século XIX e tinha como objetivo inicial o transporte ferroviário de passageiros e escoar a produção cafeeira do Vale do Rio Doce e Espírito Santo. Mas seu foco foi alterado em 1908, passando a visar Itabira e escoar o minério de ferro extraído no município até os complexos portuários capixabas.

Trata-se de um dos únicos trens diários de passageiros de longa distância do Brasil, e o trajeto é de 664 quilômetros. O trem para por 28 estações ao longo do caminho, e conta com serviço de bordo.

5 – Estrada de Ferro Carajás

A Estrada de Ferro Carajás (EF-315), também conhecida pela sigla EFC, é uma ferrovia diagonal brasileira com 892 km de extensão, em bitola larga, operada pela mineradora Vale S.A.. Passa pelos estados do Maranhão e do Pará, ligando o Porto do Itaqui no município de São Luís (MA) a Marabá e Parauapebas (PA).

O mais longo percurso de trem de passageiros do Brasil leva 16 horas.

6 – Tren Crucero – Equador

Passando por belos cenários equatorianos, o Tren Crucero percorre o trajeto Quito e Guayaquil ou vice-versa com mais de 400 km de distância. A viagem, com duração de 4 dias, conta com vagões café-bar e um salão panorâmico. Dependendo da época do ano, o trem cruza montanhas nevadas e o imponente Cotopaxi, o terceiro maior vulcão ativo do mundo.

7 – Expreso del Sur – Bolívia

O Expreso del Sur, também conhecido como Wara Wara del Sur, oferece uma linha direta entre as cidades de Oruro e Villazon, na Bolívia, distantes em 655 quilômetros. O trem também conta com vagões luxosos, e a viagem total leva treze horas, cruzando o deserto de sal Salar de Uyuni.

Sobre o autor do post

Renato Lobo

Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.

comentários

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  • E enquanto isso em SP, estado mais “rico do país” mas com políticos de caráter bem duvidoso, não temos ao menos uma mísera ligação SP a Campinas.

    E antes que o Ivo venha com aquele argumente que ” ah mas isso ficaria em X Bilhões, estado não tem condições de pagar”, já digo que se na época das concessões se exigisse em contrato que tal trecho fosse modernizado e ampliado o número de vias em algumas partes do mesmo pela concessionária operadora, hoje não estaríamos nessa situação.

    • Você acha que essas obras seriam baratinhas? Não existe inciativa privada no mundo capaz de bancar R$ 20 bilhões em obras de trens de passageiros entre São Paulo, Santos, Campinas e Sorocaba.

      Sua exigência inviabilizaria qualquer concessão e hoje não teríamos nem mesmo trens de carga. Por isso que governar é fazer escolhas. Entre ter trens de carga e não ter nada, o governo fez a opção correta na época.

      Duplicar meramente as linhas existentes seria inútil pois elas fazem um trem levar 3 horas de viagem entre São Paulo e as cidades acima, quando a viagem de carro e ônibus é bem mais rápida e confiável. De que teria adiantado gastar 1/3 do necessário para trens intercidades e ter trens vazios, por falta de atratividade?

      • Duplicar não seria inútil, seria uma via exclusiva para trens de passageiros, sem interferência alguma, os trens poderiam desenvolver uma ótima velocidade nestes novos trechos.

        E se você prestar atenção eu me referi ao trecho SP-Campinas, não falei nada sobre Sorocaba nem Santos.

        A exigência não inviabilizaria nada, visto os milhões e milhões que as concessionárias lucram. Só seria uma contrapartida justa, empresas privadas iriam topar da mesma forma

        E realmente você crê, que um trem entre SP-Campinas andaria vazio? Com um preço mais atrativo que o ônibus, muito mais conforto, com certeza iria ter uma alta demanda, mesmo que fosse pouca coisa mais demorada que o ônibus.
        E ônibus não é essa maravilha toda que você ama pintar não, vide quando na chegada a SP a Marginal está completamente entupida, dias de chuvas nem se fala…periga ficar mais tempo ali do que nas rodovias…Com trens esse problema não ocorreria.

  • Caro Renato Lobo,

    acompanho, com grande interesse, suas reportagens e comentários sobre metrô e ferrovias. Sobre trens de longa distância na América do Sul, gostaria de dizer-lhe que já houve trens três vezes por semana, entre S. Paulo e Buenos Aires. Saía da estação Júlio Prestes. Conheci apenas um trecho do que restava desse trajeto, quando fui de União da Vitória até Herval do Oeste, em Santa Catarina, em março de 1979, para participar de uma reunião científica em Joaçaba. Um dia inteiro de viagem através de uma paisagem histórica lindíssima, cenário da Guerra do Contestado, em 1912-1916, um movimento milenarista semelhante ao da Guerra de Canudos. Os carros da composição eram praticamente da época dessa guerra. Tinha um carro restaurante, naquela altura apenas para transportar um fogão aceso e uma chaleira com água quente para o chimarrão dos passageiros.

    Na verdade, no tráfego original, era possível ir de São Luís, do Maranhão, até a capital Argentina, fazendo baldeações.

    Outra linha, em que viajei, foi a do trem para a Bolívia. Um presente que me dei quando fiz 19 anos de idade e oito anos de trabalho. Tirei férias na fábrica em que trabalhava e, no dia 4 de janeiro de 1958, juntei minhas coisas numa maleta, fui para a estação da Luz e, lá, tomei o trem da Companhia Paulista de Estradas de Ferro para Bauru, que saía ao meio dia e cinco. Fui no carro pullman, muito confortável, poltronas giratórias, com mordomo que servia café, refrigerante e sanduíches aos passageiros. O trem chegou ao destino no começo da noite. Às 22 horas, saiu o trem da Estrada de Ferro Noroeste, com carro dormitório e restaurante. Chegamos a Corumbá, na fronteira com a Bolívia, à beira do rio Paraguai, na noite do domingo, após a travessia do Pantanal. A cidade era pequena, com muitos remanescentes da Guerra do Paraguai. Só havia trem para Santa Cruz de la Sierra uma vez por semana, no domingo. Fiquei na cidade a semana inteira, visitando lugares históricos. No domingo seguinte, saiu o trem para Puerto Suarez, que fica logo após a passagem da fronteira. O percurso até Santa Cruz é de uns 600 km. O trem, velho e vagaroso, saiu pouco depois do almoço do domingo e chegou ao destino à meia noite do sábado seguinte, depois de uma semana inteira de viagem.

    Só não havia e não há trem entre Santa Cruz e Cochabamba. A viagem de subida dos Andes era feita de jardineira. Na bela Cochabamba, tomava-se outro trem para ir a Oruro e La Paz, um longuíssimo dia de viagem, saía-se muito cedo e chegava-se tarde da noite. Depois de uns dias em Laz Paz, fui de trem até Tiahuanacu, perto do Lago Titicaca e da fronteira com o Peru. Praticamente, eu havia atravessado a América do Sul, na maior parte de trem.

    De La Paz, voltei a Cochabamba. De lá, tomei uma avião para Santa Cruz e outro para São Paulo, onde cheguei na noite de 25 de janeiro de 1958. Não dava para voltar de trem. Eu estava esgotado

    Uma terceira viagem de longa distância, foi a que fiz, com a família, em duas cabinas dormitório alugadas do trem da Estrada de Ferro Mogiana, que ia de Campinas a Brasília, até a estação rodo-ferroviária do Distrito Federal. Com jantar e café da manhã.

    Tudo isso foi desativado. Em outros países, ferrovias assim são preservadas e dedicadas ao turismo.

    Naquela época, essas viagens eram facilitadas pela existência de um precioso guia ferroviário, que saía mensalmente, o Guia Levi. Foi publicado durante um século. Tinha informações minuciosas sobre todas as ferrovias brasileiras, seus horários, as características de cada composição, se tinha dormitório e restaurante, o exato tempo de parada em cada estação. Com base nele organizava minhas viagens. Você ainda encontra esse guia em sebos.

    Parabéns por seu utilíssimo trabalho.

    Muito cordialmente, Prof. José de Souza Martins

  • Boa noite Renato, tenho muita vontade de fazer viagens de trem pela America do Sul, de preferencia viagens longas, adoro ficar no trem, sera que vc pode me indicar alguma agencia que possa montar algum roteiro? Prefiro mais tempo no trem do que em hotel….

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