Recordar é viver

Trem entre SP e Sorocaba, estudado pelo governo, operou há 21 anos

Foi no dia 16 de janeiro de 1999 em que o último trem partiu de São Paulo rumo ao interior do estado, passando por Sorocaba. Vinte e um ano depois, na semana passada, uma reposta em uma rede social do secretário dos transportes metropolitanos, Alexandre Baldy, disse que o atendimento estava sendo estudado.

O trem partia de São Paulo até Presidente Prudente, passando por Sorocaba, Botucatu e Bauru. Em grande parte de sua existência, a ferrovia foi conhecida como Sorocabana.

Histórico

De acordo com o site Estações Ferroviárias, a Sorocabana foi fundada em 1872, e o primeiro trecho da linha foi aberto em 1875, até Sorocaba.

A linha-tronco se expandiu até 1922, quando atingiu Presidente Epitácio, nas margens do rio Paraná. Antes, porém, a EFS construiu vários ramais, e passou por trocas de donos e fusões: em 1892, foi fundida pelo Governo com a Ytuana, na época à beira da falência.

Em 1903, o Governo Federal assumiu a ferrovia, vendida para o Governo paulista em 1905. Este a arrendou em 1907 para o grupo de Percival Farquhar, desaparecendo a Ytuana de vez, com suas linhas incorporadas pela EFS. Em 1919, o Governo paulista voltou a ser o dono, por causa da situação precária do grupo detentor. Assim foi até 1971, quando a EFS foi uma das ferrovias que formaram a estatal FEPASA.

O seu trecho inicial, primeiro até Mairinque, depois somente até Amador Bueno, desde os anos 20 passaram a atender principalmente os trens de subúrbio. Com o surgimento da CPTM, em 1994, esse trecho passou a ser administrado por ela. Trens de passageiros de longo percurso trafegaram pela linha-tronco 1999, quando foram suprimidos pela concessionária Ferroban, sucessora da Fepasa. A linha está ativa até hoje, para trens de carga.

Sobre o autor do post

Renato Lobo

Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.

comentários

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  • Isso corrobora o que eu sempre digo, tínhamos uma malha ferroviária de respeito, mas ela foi sucateada criminosamente por certos “bandidos”, leia-se políticos e seus amigos ligados a empresas de ônibus e consórcios rodoviários.

    • Malha de respeito? Na verdade era uma malha obsoleta desde que foi criada. A viagem entre São Paulo e Sorocaba passa por curvas tão estreitas que o trem tinha quase que parar para passar por elas. Na época de construção das ferrovias, o governo imperial remunerava (por meio de incentivos fiscais) os construtores das ferrovias por quilômetro construído. Outros construtores não tinha recursos para construir uma ferrovia de verdade (com curvas com raio mínimo de 500 m) e acabaram construindo ferroramas para transportar cargas. Enquanto a ferrovia era o único meio de transporte terrestre existente, isso funcionou.

      No momento em que surgiram meios de transporte mais eficientes como o rodoviário e o dutoviário, essa malha ferroviária nascida obsoleta entrou em colapso. O custo para reconstruir trechos inteiros tornou-se proibitivo nos grandes centros urbanos. Hoje, um trem entre São Paulo e Sorocaba levaria 2h30 para fazer esse trajeto (e olhe lá, pois a Linha 8 da CPTM iria atrasar as viagens do trem de longo percurso). De ônibus e carro é bem mais rápido e prático.

      A CPTM elaborou em 2013 um projeto para a construção de um novo traçado, que permita uma viagem entre São Paulo e Sorocaba com 55 minutos de duração. O custo disso? Entre R$ 3,5 bilhões a R$ 4,3 bilhões. A CPTM tem esse recurso? Não. A iniciativa privada tem esse recurso ou interesse em financiar parte dele? Não.

      • Rodoviário mais eficiente que o ferroviário? Europa que o diga né, eles acabaram com as ferrovias para construir de rodovias, nas quais entopem de ônibus poluentes,barulhentos e de passagens caríssimas, só que não né…

        Quando eu digo malha de respeito, é em questão de extensão, se houvesse manutenções e investimentos em melhorias desde sempre não aconteceria tal “colapso” citado por você. Mas os gloriosos governantes, preferiram optar para uma estratégia, suja dig-se de passagem, para tirar aquele ” por fora”, ai deu no que deu.

        Enfim, sei que você é figurinha carimbada, e fã incondicional da classe de calhordas, principalmente o canalha mor, governador atual, logo eu sei que de nada vai adiantar tudo que eu te disse antes, discutir com fã de político é dose…

        • Você quer comparar a malha ferroviária da Europa com a ferrovia São Paulo-Sorocaba? Acha mesmo que a linha feita pela Sorocabana em 1875 (e mal reformada em 1927) tem como competir com a Rodovia Castello Branco?

          Não sou fã incondicional de nada agora você se porta como ferrofã. E ferrofã acha que uns trilhos abandonados e umas locomotivas e vagões velhos são atrativos.

          Só a recuperação do trecho São Paulo-Sorocaba custa R$ 4 bilhões. Acha mesmo que o estado iria investir nisso nos anos 1970 e 1980? Se São Paulo tivesse investido nessa malha obsoleta naquela época, não teríamos metrô, CPTM, trólebus, etc e ainda estaríamos andando em transportes sucateados.

          O estado investiu na Fepasa, prova disso está nas linhas 8 e 9 da CPTM e no corredor de exportação Santos-Uberaba, que são eficientes e e bem utilizados até os dias atuais.

          Nenhuma manutenção ou investimento baixo iriam fazer o trem sair de Sorocaba e chegar em São Paulo em menos de 2h30.

          Mas ferrofã não quer saber de economia (e crises econômicas), política, prioridades sociais, responsabilidade fiscal, só quer saber trenzinho rodando para tirar fotinha…

          • “Se São Paulo tivesse investido nessa malha obsoleta naquela época, não teríamos metrô, CPTM, trólebus, etc e ainda estaríamos andando em transportes sucateados”.

            Virou vidente agora? Uma coisa não anula a outra, o grande erro foi a concessão das grandes ferrovias sem nenhuma contraprestação de transporte de cargas, poderia haver exigências,como modernização das vias,e construção de vias paralelas existentes nos trechos de vias singelas,. Claro que essa segunda hipótese poderia haver contribuição mútua Estado e Iniciativa Privada.

            E você falou em competência, claro que poderia competir sim, colocando preços mais baixos que dos ônibus, que aliás hoje tais empresas formam um verdadeiro cartel, população não tem mais nem opção de escolher entre empresas.

  • Caso esta concessão das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda seja planejada e executada, é óbvio que se deva incluir um serviço de trem de passageiros entre a capital e Sorocaba no pacote, ( É condição Sine Qua Non ) o operador fara a gestão do trem metropolitano e do Intercidades, não tem como se separar, sob o risco de se ocorrer o mesmo imbróglio que aconteceu na GRU Airport, em que um contrato de concessão mal elaborado no qual passageiros tem que fazer um transbordo desnecessário a 1,2km do primeiro terminal e 2,5km do terceiro, desmotivando os passageiros a utilizar a Linha 13-Jade, lembrando que ainda existe um longo trecho em traçado precário em linha métrica entre a última estação com relação a Sorocaba que deverá ser rebitolado em 1,6m.

    Também é fundamental e imprescindível que se construa a Estação integradora de passagem do Bom Retiro e se revitalize a Estação terminal Júlio Prestes para receber os trens metropolitanos e o Intercidades procedentes desta região.

  • Curva não impede trens de passar, congestionamentos sim. Parem de criticar e apresente projeto de correção de traçado. Restrições de velocidade em vias férreas geralmente são causados por trilhos soltos , desalinhados, dormentes podres. Sempre assim, nunca dá certo, é caro, não compensa. 1000 impedimentos e meia dúzia de dá certo. Só dá certo na Europa, Estados Unidos e China. Uma longa caminhada começa com o primeiro passo

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