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Eleições 2020

Carta Manifesto pede aos candidatos à Prefeitura de São Paulo, VLT na cidade

Uma Carta Manifesto direcionada aos candidatos a prefeito de São Paulo, reforça a importância de um sistema de VLT. O documento foi assinado pelas principais entidades do setor metroferroviário, incluindo a AEAMESP, a ABIFER, o Instituto de Engenharia, a ALAF, a ANTP, o SIMEFRE, o SEESP e a UITP.

Confira:

Carta Manifesto aos candidatos a Prefeito de São Paulo – São Paulo Precisa do VLT

A eleição para prefeito de São Paulo no próximo dia 15 reforçam as esperanças de mais de 12 milhões de habitantes em ter uma cidade com maior qualidade de vida, mais eficiente, mais competitiva e mais humanizada na relação com seus moradores e visitantes.

Apesar dos quatro anos do mandato do prefeito ser um período muito curto para a solução de problemas estruturais que se arrastam por décadas, é também uma grande oportunidade para iniciar novos projetos que darão resultados relevantes no médio e longo prazo, significando o começo imediato de um futuro melhor. Assim foi com diversas ações exitosas implantadas na cidade, cujos resultados colhidos hoje são fruto de iniciativas com origem nas décadas de 50, 60 e 70.

Maior cidade da América Latina, onde residem mais de 12 milhões de habitantes, São Paulo possui um PIB de mais de 700 bilhões de reais, maior do que de muitos países, e que a coloca como a décima mais rica do planeta.

Segundo a pesquisa O/D 2017, nela são realizadas diariamente pouco mais de 16 milhões de viagens motorizadas, onde o transporte coletivo responde por 56 % do total. À exceção das viagens realizadas pelos modos sobre trilhos, operados pela Cia. Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM e pelo Metrô, com destaque para este último, considerado em várias pesquisas como o melhor modo de transporte da cidade, as viagens realizadas por transporte coletivo baseiam-se essencialmente na rede de ônibus, constituída por centenas de linhas que utilizam o sistema viário da cidade, em geral sem nenhum tratamento preferencial para sua circulação, retidos nos congestionamentos e por isso, com intervalos e tempos de viagem, imprevisíveis.

Horas paradas nos congestionamentos, desperdício de combustível, aumento das emissões de poluentes, riscos de acidentes, são fatores que somados, causam impactos econômicos que tiram a competitividade da economia paulistana, comprometendo investimentos em setores mais avançados por conta dessas deseconomias. Mas os impactos também são de ordem urbanística. Dezenas de avenidas da cidade em regiões consolidadas apresentam degradação em sua ocupação devido aos impactos dos congestionamentos e das emissões ambientais (gases e ruídos), com deterioração dos imóveis, usos e ociosidades indesejadas, resultando em perdas econômicas injustificáveis.

Esse quadro piora a vida das pessoas, degrada o ambiente, compromete a economia e afasta investimentos. Diversas cidades em todos os continentes passaram por esse quadro e muita delas implantaram políticas urbanas de revitalização urbana e de sua mobilidade para aumentar a competitividade do transporte coletivo sobre o transporte individual, melhorar a qualidade ambiental e requalificar áreas urbanas degradadas ou em processo de degradação, tendo como indutor os sistemas de Veículos Leves Sobre Trilhos – VLT.

Desde o ano 2000, foram implantados mais de 200 sistemas de VLTs no mundo, com esse objetivo. Os sistemas de VLTs devem estar associados às políticas de renovação urbanística, devendo ser a espinha dorsal da mobilidade em todas as operações urbanas do município, elevando a qualidade do serviço e eliminando as emissões ambientais. Suas características metroferroviárias permitem o controle automatizado da operação, dando preferência nos cruzamentos, o que garante a regularidade e os baixos intervalos entre os veículos nos horários de pico, entre outras qualidades.

O Brasil possui grande experiência em todas as etapas que envolvem sistemas de VLTs, como projeto, implantação, operação e manutenção. Estão em operação dois importantes sistemas que estão revolucionando as regiões onde
operam, como o centro do Rio de Janeiro, transportando diariamente quase 100 mil usuários (antes da pandemia) e o da Baixada Santista, atualmente em fase de implantação de novo trecho de expansão, que ligará São Vicente ao centro histórico de Santos.

São Paulo não pode esperar. Nossa cidade precisa recuperar dezenas de corredores e regiões degradadas pelo excesso
de trânsito e pela baixa qualidade do transporte público e trocar essa situação pela renovação e valorização urbana, baseada na mobilidade de qualidade oferecida pelos sistemas de Veículos Leves Sobre Trilhos.
Avenidas como Celso Garcia, Rangel Pestana, São João, Consolação/Rebouças, Nove de Julho/Santo Amaro, Cupecê, Teotônio Vilela, M’Boi Mirim, Aricanduva, são apenas algumas onde são marcantes os problemas de congestionamento e degradação urbana deles decorrentes, com a penalização dos moradores e usuários diários desses corredores.

As entidades que assinam essa carta aberta aos candidatos a prefeito da maior cidade da América Latina entendem ter o compromisso em contribuir com a sociedade para ajudar a construir um futuro melhor a partir de investimentos na melhoria da requalificação da mobilidade urbana e desejam que o prefeito eleito em 15 de Novembro faça São Paulo se unir à rede de cidades que reconstruíram sua mobilidade e seu desenvolvimento urbano, implantando sistemas de VLT como ferramenta para uma melhor qualidade de vida a todos os seus cidadãos.

A cidade não pode esperar mais. Sr. prefeito eleito em 15 de novembro: deixe esse legado de qualidade para as próximas gerações. Inicie em seu mandato a implantação de um transporte público de qualidade para todos os munícipes de sua cidade.

AEAMESP – Associação de Engenheiros e Arquitetos de Metrô
ABIFER – Associação Brasileira da Indústria Ferroviária
ALAF – Associação Latino Americana de Ferrovias
ANTP – Associação Nacional de Transportes Públicos
IE – Instituto de Engenharia
SEESP – Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo
SIMEFRE – Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos
Ferroviários e Rodoviários
UITP – Associação Internacional de Transporte Público / Divisão América Latina

Sobre o autor do post

Renato Lobo

Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.

comentários

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  • Eu tive a oportunidade de usar o VLT do Rio, haviam problemas pra validar o bilhete e no final era preciso um fiscal acompanhado de um guarda metropolitano. Então, se não tiver uma solução melhor que a carioca o VLT vai ser um problema.
    Outro ponto a ser considerado no VLT é a questão dele ser implantado em áreas planas tanto no Rio quanto em Santos, então São Paulo sofreria desafios de implantação dependendo da localidade.

    • Áreas planas?!
      Eu já andei em Vlts (Trams) em Praga, Berlin, Budapeste e Zurich em subidas e descidas, algumas bem acentuadas. Com pagamento voluntário (igual ao Rio). Vários validadores de bilhetes dentro do carro, o que evita filas, evita a demora para embarcar e a construção de estações. Dizem que no Rio a evasão de pagamentos é de 11%, que é considerado até baixo.

      • Legal saber que eles conseguem subir ladeiras. É que como eu só vi o Brasil nem me passou pela cabeça que o VLT aguentava. Quanto a questão do Rio, 11% é bastante, me referi apenas a um sistema melhor pra evitar falta de pagamento.

    • Vivo entre Rio e SP, sempre usei o VLT e nunca vi grandes problemas na validação do bilhete. Uma linha de VLT que eu acharia muito legal de VLT seria na Augusta e Faria Lima, indo do Terminal Pinheiros pro Terminal Pedro II (linha 930P da SPTrans) e outra seria pela Rangel Pestana e Celso Garcia indo do Terminal Penha até o Pedro II (linha 390E da SPTrans)

  • Nem me iludo dessa de VLT em SP, principalmente se o descendente do “Clã” Covas ganhar, partido do mesmo tem o “tesão” em ônibus, capaz de implantar mais corredores do mesmo, e ainda ter a cara de pau de chamar o mesmo de BRT, nome bonitinho para a mesma coisa.

  • Eu não sei a diferença de custos de implantação, capacidade de transporte entre o VLT e o BRT.
    Provavelmente o BRT é mais barato, mas de acordo com pesquisas que li, sobre os VLTs de Melbourne e Edimburgo a aprovação dos VLTs é superior a 95% de satisfação. Em Melbourne especialistas ficaram intrigados, porque em itinerários exatamente iguais os VLTs andavam cheios e os ônibus tinham lugares sentados? Fizeram pesquisas que demonstraram a maior confiança em um meio de transporte mais previsível, com menor intervenção do condutor, maior respeito dos outros veículos, acompanhamento por um centro de controle. Pais e mães tinham confiança em deixar seus filhos pequenos no VLT e não no ônibus, pela percepção de segurança, entre outras vantagens como silêncio (contra ônibus a diesel) e conforto. A melhora no entorno, pois a autoridade de plantão não pode ficar alterando itinerários e linhas quando der na telha. A imagem de modernidade que pode atrair investimentos e turismo.
    Acredito que um dia a cidade de São Paulo deveria tentar implantar o VLT, mas acho difícil, pois os bons resultados só viriam depois de vários anos e muitas críticas.

  • Reconheço não ser um especialista, porém, sou um entusiasta do transporte coletivo decente.

    Li muitos artigos, aqui no Brasil e, também, em outros idiomas sobre VLT, LRS, Tramway ou outro nome que caiba e, ao que me parece, São Paulo têm diversos trechos onde hoje operam corredores de ônibus que são possivelmente bem adaptáveis aos trilhos leves.

    No entanto, isso vai além da mudança de mentalidade, sobretudo quando máfias e cartéis dominam o transporte rodoviário da RMSP e usam todo fogo que tem disponível fazendo lobby contra a evolução da megalópole. O que é mais do que lamentável.

  • O VLT é uma excelente ideia, seria ótimo se em São Paulo tivesse linhas que conectassem aos terminais e às estações de metrô/trem, e que alguns corredores de ônibus fosse substituído por um VLT como o corredor da Av. Cupecê

  • Covas ferrou quem usa BU, duvido investir em VLT, se no passado não tivesse excluído os bondes hoje seriam VLTs, assim como em países europeus que somente atualizaram a tecnologia, porém pra começar no centro seria uma boa alternativa.

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