Presidente Jair Bolsonaro | Foto: Marcos Brandão/Senado Federal
Segurança Viária

Opinião: Demagogia pode agravar o problema da segurança viária no Brasil

Multas, infrações e penalidades na carteira de motoristas nunca foram bem recebidos por grande parte daqueles que conduzem veículos no país. Muitos argumentam que a dita “industria da multa” teria como único e principal objetivo, subtrair valores desta fração da população.

Há questionamentos sobre os valores arrecadados e pouco que é investido na conservação das vias, onde este argumento faz sentido. No entanto, uma questão muito mais urgente e vital é pouco é debatida: vidas perdidas no trânsito.

Ainda que o Brasil vem registrando queda, o número de óbitos ainda é alarmante. Segundo levantamento do Observatório Nacional de Segurança Viária, foram 47 mil mortos em decorrência de acidentes automobilístico em 2017. Já os sequelados, passam de 400 mil.

Por mais que exista objeções na fiscalização da conduta de alguns motoristas, não há hoje notícias de um método de fiscalização que seja mais eficaz do que a canetada, tão temida e odiada por tantos. Em São Paulo, por exemplo, após o início da fiscalização por excesso de velocidade, o número de mortes por 100 mil habitantes caiu de 22,2 para 16,7 no ano de 1998.

O governo do presidente Jair Bolsonaro completou 100 dias, e pouco se viu sobre campanhas ou medidas para que este cenário de mortes seja revertido, ou pelo menos que siga a tendência de queda nas fatalidades.

Pelo contrário. Duas medidas preocupam: a extinção de radares de fiscalização e flexibilização nos pontos da carteira de motorista.

No final do mês de março, o presidente anunciou o cancelamento da instalação de 8 mil novos radares eletrônicos em rodovias federais. Também declarou que irá revisar os contratos já existentes, podendo suspender o funcionamento de mais equipamentos. Ou seja, a fiscalização que já é deficiente, ficará ainda pior. Outra medida do presidente é aumentar o limite dos pontos para suspender a CNH, de 20 pra 40.

As medida podem agradar em um primeiro momento, parte do eleitorado e da população, mas a longo prazo pode ser desastrosa no ponto de vista de saúde pública.

Segurança viária é construída com permanente ações de combate ao comportamento perigoso de alguns e não com demagogia e populismo.

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As opiniões expostas pelos seus autores não necessariamente refletem a opinião do blog ou dos outros autores dele.

Sobre o autor do post

Renato Lobo

Paulistano, profissional de Marketing Digital, técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.

comentários

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    • Não mesmo! Acabar com a industria da multa beneficia a maioria da população que é malhada com multas abusivas. Diminuir mortes por acidente se faz muito bem com as blitz que vejo cada vez mais e pegam os culpados no flagra… esses são punidos exemplarmente. Agora criticar o governo em absolutamente o que faz é militância política.

      • “Indústria da multa” existe só pra quem não respeita as normas de trânsito. Eu mesmo nunca fui vítima dessa “indústria da multa” e não é por causa da minha posição política. Talvez tenha sido por eu nunca infringir nenhuma norma de trânsito. Sugiro às vítimas da “indústria da multa” fazer o mesmo, aí sim essa “indústria” acaba.

  • Concordo com as medidas tomadas pelo presidente. Se ocorrem mortes no trânsito é só punir quem deu causa. Exemplo: camarada bebeu, atropelou e matou três pessoas. Em vez desse camarada ficar dois anos na cadeia e sair fora, faria o seguinte: cassava a habilitação desse camarada por no mínimo 20 anos, ficaria pelo menos 12 anos na cadeia, em regime fechado, sem progressão e seria obrigado a pagar as despesas com saúde, funeral e danos materiais aos parentes das vítimas. Basta querer. O que não pode é punir a maioria por causa de uma minoria.

  • Dizem que o PT, acabou com o Brasil! Este que aí entrou recentemente, vai dar o golpe de misericórdia no país e no povo pobre. Acordem brasileiros, para a real.

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