Buracos na Radial Leste
Mobilidade Urbana

Mais buraco que conta bancária pós-feriado

Em São Paulo, para a maioria dos motoristas e passageiros dos mais diversos modais do transporte urbano rodoviário, sabe que na cidade a cada período chuvoso, o número de buracos triplica nas ruas da capital paulista.

O pavimento da cidade em sua esmagadora maioria, é composta por manta asfáltica -também conhecido como “concreto betuminoso“- das mais diversas qualidades possíveis. De alguns anos para cá (mais precisamente desde meados de 2003), uma determinada qualidade de pavimento tem sido utilizada na cidade. Essa qualidade denominada “CBUQ”, é um dos compostos menos nobres de asfalto disponíveis do mercado, onde apresentam baixa resistência e uma necessidade de renovação maior do que outros exemplos pouco mais elaborados.

Com as últimas grandes ações de recape que ocorreram na cidade (meados de 2011 e 2018), a utilização da mesma manta asfáltica faz a cidade e quem trafega nela, pagar à duras penas os problemas que o viário apresenta após seu uso em cenários mais intensos, como a passagem constante de veículos pesados e falta de superestrutura de rodagem por conta da idade das vias.

No caso da Radial Leste, aliada à qualidade do asfalto citada, tem uma circulação constante nas faixas exclusivas de ônibus das mais diversas configurações que existem na cidade, como micros, motor dianteiro, traseiro, articulados e os “supers” com 23 metros de comprimento. O peso dos ônibus varia de 9ton dos menores até 27ton aos maiores, exercendo forças sobre o pavimento maiores do que eles podem suportar a médio prazo.

Com a implantação das faixas exclusivas em 2013, o tráfego ficou ainda mais concentrado à direita, resultando no afundamento da pista e criando crateras na mesma proporção que “lombadas”, também conhecidas como costela de vaca.

Em meados de 2015 e 2016, a faixa da Radial Leste sentido bairro, foi reformada no trecho compreendido entre o Shopping Metrô Tatuapé e a Avenida Aricanduva, incluindo obras de recape e reconstrução do “meio-fio”, que corresponde às guias e sarjetas. Por conta da largura da via e sua configuração de 4 faixas para automóveis e uma para os coletivos, o tamanho fica restrito lateralmente, o que força os ônibus a trafegarem sobre essas estruturas (que não são planejadas para suportar tanto peso em tanto tempo).

Com dois períodos chuvosos dos anos de 2017 e 2018, além da constante passagem de veículos, a conta chegou agora em 2019, com a abertura de diversos buracos justamente onde as obras de recuperação ocorreram. As interferências causam insegurança para os veículos que trafegam na faixa, incluindo os carros leves e táxis que andam quando permitido, obrigando-os a desviarem constantemente e travando a faixa lateral do já complicado trânsito dessa via arterial. Em algumas ocasiões, os veículos são obrigados a “enfrentarem” os buracos, precisando diminuir drasticamente a velocidade.

A causa das condições viárias em faixas de ônibus implicam diretamente no conforto e no andamento da viagem, fazendo a velocidade média dos ônibus (que já são baixas) caírem ainda mais, comprometendo a qualidade do transporte público por ônibus na cidade.

As reclamações por parte dos cidadãos podem ser feitas diretamente ao telefone 156 ou no APP 156 da prefeitura, informando o endereço e a natureza do problema.
Instaladas à toque de caixa, as faixas de ônibus sempre apresentarão essas falhas. Por mil manutenções que sejam feitas, o problema sempre voltará a surgir, pois o prazo de validade da obra terá vida curta, por ainda não tratarem o a causa do problema.

Como exemplo, podemos observar uma matéria realizada em outra via (com os mesmos problemas), pela TV Gazeta, em 2014.

 

Fotos:

Foto: Via Trólebus – Rodrigo Lopes
Foto: Via Trólebus – Rodrigo Lopes

Sobre o autor do post

Rodrigo Lopes

Paulistano, formado em Logística e graduando de Tecnologia em Transporte Terrestre, sempre gostou de transportes e tudo o que envolve a mobilidade, transportes e planejamento urbano. Participa de projetos relacionados a preservação ferroviária, transporte não poluente e gestão pública. Criador do Boletim do Transporte em 2011, desde Abril de 2018, colabora com o Via Trólebus.

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