Instituições pedem adiamento das Audiências Públicas referente a nova Licitação dos Transportes

Conforme divulgado nesta quarta, 21, a Prefeitura de São Paulo irá realizar, entre os dias 26 e 28 de junho, audiências públicas nas Prefeituras Regionais para debater a nova licitação do transporte público da cidade (leia aqui). Porém, após o anúncio, algumas instituições da sociedade civil solicitaram o adiamento destas a gestão municipal.

 

Assinam a carta as seguintes instituições: apē – estudos em mobilidade, Ciclocidade, Cidadeapé, Cidade dos Sonhos, Greenpeace, GT Mobilidade – Rede Butantã, Idec – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor e Rede Nossa São Paulo.

 

Veja o texto da carta protocolada abaixo:

 

São Paulo, 21 de junho de 2017.

 

Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes

Ilmo. Sr. Sérgio Avelleda

Secretário

 

São Paulo Transportes (SPTrans)

Ilmo Sr. José Carlos Martinelli

Presidente

 

Prezados Senhores,

 

Temos acompanhado as discussões acerca da nova licitação do serviço de ônibus da capital desde 2015. Acreditamos que esta licitação é um marco importantíssimo, já que carrega em si o potencial de garantir um transporte público coletivo de qualidade, integrado, acessível e que contribua para o desenvolvimento econômico, social e ambiental da cidade. Mais do que isso, acreditamos que esta licitação pode resguardar os direitos e o bem-estar dos mais de 6 milhões de usuários diários de ônibus na cidade.

 

Por tudo isso, é fundamental que esse processo seja conduzido com total transparência e participação social. Assim, gostaríamos de solicitar o imediato adiamento das audiências públicas referentes ao processo de licitação do serviço de ônibus em São Paulo até que a proposta do texto do edital esteja de fato disponível para leitura e análise. As audiências estão marcadas entre os dias 26 e 28 de junho de 2017, mas até o momento a proposta de edital não foi oficialmente apresentada pela Prefeitura.

 

Na última reunião do Conselho Municipal de Transporte e Trânsito (CMTT), em 24/05/17, a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes (SMT) convidou algumas entidades da sociedade civil a apresentarem suas sugestões para a nova licitação. Na ocasião, a SMT informou que não poderia apresentar detalhes do texto que vinha elaborando pois poderia ser questionada legalmente pelas empresas interessadas em participar do certame caso abrisse informações “privilegiadas” naquele momento. A SMT informou que o texto do edital seria apresentado e debatido em evento a ser realizado na semana seguinte, no Instituto de Engenharia. Após questionamentos por parte dos conselheiros presentes, a Secretaria também optou por não apresentar um cronograma detalhado sobre o período de consulta pública.

 

No dia 01/06/17, a SMT realizou um evento no Instituto de Engenharia no qual se esperava que fosse apresentada a proposta de edital. O evento, no entanto, não trouxe uma apresentação detalhada do texto a ser proposto pela Prefeitura, inviabilizando assim esclarecimentos ou a participação efetiva da sociedade. Para responder às dúvidas levantadas pela plateia durante o evento, a Secretaria se limitou a dizer que os esclarecimentos estariam no texto do edital – sem, no entanto, informar quando o texto do edital estaria de fato disponível para leitura e análise. A SMT também não divulgou qualquer detalhe ou cronograma sobre a consulta pública.

 

No dia 08/06/17, foi divulgado no Diário Oficial um calendário de 32 audiências públicas a serem realizadas entre os dias 26 e 28 de junho de 2017, com o objetivo de discutir o novo edital de licitação do sistema de ônibus. Porém, até o presente momento, a proposta de texto do edital não foi apresentada – o que segue inviabilizando a efetiva participação da sociedade. O fato de termos de 7 a 13 audiências marcadas para o mesmo dia e horário também prejudica enormemente o processo – uma vez que limita a participação de munícipes e inviabiliza que os gestores e reais tomadores de decisão da Secretaria e da SPTrans consigam acompanhar todas as audiências com a devida qualidade. E por fim, o calendário de audiências foi publicado apenas no Diário Oficial, sem qualquer outro esforço de divulgação por parte da Prefeitura. Ou seja, a tendência é repetirmos os erros de processo que vimos durante a consulta pública do Programa de Metas e termos audiências completamente esvaziadas e sem um debate real sobre os termos do edital; serão contribuições baseadas apenas em achismos, sem embasamento em qualquer texto ou proposta concreta.

 

Porém, estamos falando do maior sistema de ônibus da América Latina: 14 mil veículos, 6 milhões de pessoas por dia, R$ 7 bilhões anuais. Uma licitação de tal magnitude precisa ser conduzida com absoluta cautela, transparência e processos adequados de participação social. O simples agendamento de reuniões nas 32 Prefeituras Regionais não garante uma escuta qualificada a respeito de tal processo. Para que a consulta pública seja efetiva, é preciso que a população saiba sobre o que está opinando. E para isso, é necessário que a proposta da Prefeitura seja apresentada anteriormente – e com tempo hábil para que todas as pessoas possam ler e analisar antes da data das audiências públicas.

 

Por tudo isso, gostaríamos de solicitar:

  1. O imediato adiamento das audiências públicas marcadas entre os dias 26 e 28 de junho de 2017;
  2. A data e canais em que a proposta de edital que vem sendo elaborada pela Prefeitura será publicada;
  3. O reagendamento das audiências públicas para no mínimo 15 dias depois da data de publicação da proposta, a fim de que a população e as entidades possam ler, analisar e preparar apontamentos e contribuições de qualidade para as audiências públicas;
  4. A realização de audiências públicas na 32 Prefeituras Regionais sem sobreposição de dia e horário, garantindo o pleno exercício de participação a qualquer pessoa, em qualquer região e horário que lhe convier;
  5. A realização de outras audiências gerais durante o processo de consulta pública, sendo pelo menos uma inaugural, para apresentação inicial detalhada do texto proposto, e outra de conclusão e encerramento;
  6. A disponibilização de material sobre a proposta de edital em linguagem cidadã, permitindo que qualquer munícipe participe, independente de seu conhecimento técnico sobre o assunto;
  7. Que o processo de consulta pública se estenda por no mínimo 90 dias, dada a quantidade de documentos e o impacto de tal licitação sobre a vida da cidade;
  8. Informações detalhadas sobre o processo de consulta, incluindo cronograma, canais de participação a serem disponibilizados e mecanismos de devolutiva após o fim da consulta.

 Agradecemos desde já sua atenção, aguardamos as respostas aos esclarecimentos solicitados e nos colocamos à disposição para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários.

 

Atenciosamente,

 

apē – estudos em mobilidade

Ciclocidade

Cidadeapé

Cidade dos Sonhos

Greenpeace

GT Mobilidade – Rede Butantã

Idec – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor

Rede Nossa São Paulo


Autor: Caio Lobo

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Paulistano e Corinthiano, formado em Marketing porém dedicou sua experiência profissional, pós-graduação e MBA na área de Finanças. Temas relacionados à mobilidade urbana o fascinam, principalmente quando se fala de metrô.

4 Comentários deste post

  1. Estão corretos

    Raul / Responder
  2. Um Off-Topic: parece que estamos na época de audiências. Já vi umas quatro por aí, e até a Quatro Rodas tá querendo fazer uma. Se eu tivesse dinheiro, pagaria o Renato para ir lá só ficar gritando o que ele grita nos comentários daqui…

    Anonimato / Responder
  3. só uma dúvida, essas audiências dão em algo?

    Vítor P. Gabriel / Responder
  4. Justo. Essa etapa não faz muito sentido sem o texto da licitação, ou uma prévia apresentada pelo poder público. A adm anterior apresentou seu texto, a sociedade e interessados avaliaram e houveram ajustes diversos. Acho mais objetivo assim. Tem que andar rápido. Os contratos atuais são muito onerosos para todos.

    tiago / Responder

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