Estudo indica que priorização do ônibus e uso consciente de carros reduziria poluentes em São Paulo

O Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) lançou o “Inventário de emissões atmosféricas do transporte rodoviário de passageiros no município de São Paulo”, um estudo inédito que mostra a participação de cada modo de transporte (automóveis, motocicletas e ônibus) e os combustíveis utilizados (gasolina, álcool e óleo diesel) nas emissões de poluentes locais e Gases de Efeito Estufa (GEE), ao longo de 24 horas de um dia típico da cidade.

 

O estudo, disponível na plataforma http://emissoes.energiaeambiente.org.br, indica que os automóveis são responsáveis por 72,6% das emissões de GEE e respondem por 88% dos quilômetros rodados por veículos. Aproximadamente 30% das pessoas se deslocam de carro e moto, 30% a pé e 40% de transporte público (ônibus, metrô e trem), segundo a pesquisa Origem e Destino 2012. “O combate à poluição atmosférica e a redução de emissões de GEE passam pela necessidade de esclarecer que o transporte público não é o principal vilão na emissão de poluentes. É preciso buscar soluções que desestimulem o uso do transporte individual motorizado. Isso inclui melhorias de infraestrutura e de tecnologia do transporte público, bem como incentivos aos modos ativos, para aumentar as viagens a pé e de bicicleta”, afirma André Luís Ferreira, diretor-presidente do IEMA.

 

O inventário de emissões orienta as escolhas por meios mais adequados de se locomover na cidade, a melhoria tecnológica dos veículos e o uso consciente dos automóveis. “Material particulado e ozônio são os poluentes mais críticos em São Paulo, e o inventário mostra que é necessário reduzir principalmente as emissões dos automóveis, mas também dos ônibus”, indica David Tsai, coordenador da área de emissões do IEMA.

 

Segundo a instituição, o inventário de emissões é uma ferramenta que contribui tanto para melhorar o transporte quanto para combater a poluição do ar, dois temas críticos em grandes metrópoles como São Paulo. Novos estudos deveriam ser uma prioridade, pois são imprescindíveis para a gestão pública, não só na agenda de desenvolvimento e implementação de Políticas Públicas, mas também no seu monitoramento. “O inventário de emissões deve ser continuamente aprimorado, para permitir análises cada vez mais precisas e abrangentes. O transporte de cargas e as fontes fixas de emissão podem ser os próximos temas”, afirma Tsai.

 

As conclusões do inventário desconstroem a ideia de que a frota de ônibus seja a principal responsável pela poluição na cidade. Foram analisados diferentes tipos de poluentes atmosféricos e, em quase todos eles, fica claro o maior impacto de automóveis e motos – transportes individuais – em relação aos ônibus, quando comparados os índices de emissões por passageiro transportado.

 

Um exemplo é o material particulado (MP), poluente crítico na maior cidade do país. As emissões geradas pelos ônibus (4,9 mg por passageiro a cada quilômetro) são quase quatro vezes menores que pelos carros (18,5 mg) e quase 3 vezes menores que pelas motocicletas (13,4 mg). Proporcionalmente, os automóveis são responsáveis por 71% das emissões do poluente na cidade, contra 25% dos ônibus e 4% das motocicletas.

 

De modo geral, o mesmo ocorre para outros tipos de poluentes atmosféricos (como monóxido de carbono e hidrocarbonetos não-metano) e GEE, com os automóveis como os principais emissores. Proporcionalmente, as emissões só são maiores nos ônibus no caso dos óxidos de nitrogênio, o que é explicado pelo fato de esse poluente ser gerado em níveis mais elevados pelos motores movidos a diesel.

 

Também foi analisada a quilometragem percorrida pelos diferentes modos de transporte. Constatou-se que os automóveis são responsáveis por 88,1%, as motocicletas por 9,1% e os ônibus 2,8%. No entanto, quando considerados os quilômetros percorridos por pessoa (e não por veículo), os ônibus são responsáveis por 55%, contra 42% dos automóveis e 3% das motocicletas.

 

“Embora desafiadora, hoje já é plenamente viável a transição para um modelo de gestão integrada da mobilidade urbana e da qualidade do ar. Especialmente em um centro urbano com a concentração populacional como a de São Paulo, é muito promissor o impacto na redução de emissões que pode ser obtido pela priorização e pelo incentivo ao transporte coletivo, aliados a escolhas pessoais mais conscientes de todos os cidadãos”, afirma Ferreira.

 

Sobre a metodologia

O “Inventário de emissões atmosféricas do transporte rodoviário de passageiros no município de São Paulo” estimou as emissões de poluentes atmosféricos do transporte rodoviário de passageiros no município de São Paulo em um dia típico do ano de 2015, com resolução temporal de uma hora e espacial de um quilômetro quadrado. Dentro desses limites, foram considerados os diferentes veículos que compõem a frota rodoviária (automóveis, motocicletas e ônibus) e os combustíveis utilizados (gasolina, álcool e óleo diesel).

 

Foram utilizadas para o estudo as seguintes ferramentas e fontes de dados da gestão de transportes:

  • dados da modelagem numérica de transporte da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), para estimar as emissões por automóveis;
  • dados de posicionamento via GPS de ônibus da frota de transporte público municipal, fornecidos pela São Paulo Transportes (SPTrans).
  • Pesquisa Origem Destino 2007, Pesquisa de Mobilidade Urbana 2012 (Metrô) e dados de partidas e chegadas de ônibus nos terminais rodoviários (Tietê, Barra Funda e Jabaquara), como complementação para estimar a atividade de motocicletas e ônibus rodoviários;
  • dados do relatório “Emissões Veiculares no Estado de São Paulo 2015” (CETESB), para os fatores de emissão de automóveis e motocicletas;
  • buscando considerar a influência do congestionamento nas emissões, foram combinados dados da CETESB com dados do “Guia para Inventários de Emissões de Poluentes Atmosféricos” (EMEP/EEA Air Pollutant Emissions Inventory Guidebook 2016) da Comunidade Europeia.

Fonte: Assessoria de Imprensa da IEMA

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Rita Silva / Flávia Guarnieri / Silvia Dias


Autor: Caio Lobo

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Paulistano e Corinthiano, formado em Marketing porém dedicou sua experiência profissional, pós-graduação e MBA na área de Finanças. Temas relacionados à mobilidade urbana o fascinam, principalmente quando se fala de metrô.

12 Comentários deste post

  1. Pra SP nada disso adianta, estudo bom mesmo é aquele produzido em alguns poucos dias entre a prefeitura e a CET.

    O.Juliano / Responder
  2. Para o Maldória faixa de ônibus e ciclovias atrapalham o carro e prejudicam o comercio….kkkkkkkkkkkk

    Tiago / Responder
    • Vamos todos abandonar os carros, motos e vamos comprar bicicletas e no máximo um carro do tipo flintstones! E viva a natureza!

      Bruno / (em resposta a Tiago) Responder
      • Não, vamos priorizar as modalidades de transporte público e/ou menos poluentes, tais como corredores de ônibus, VLT, metrô, monotrilho e ciclovias, tipo a Europa! E viva a qualidade de vida!

        Gapre / (em resposta a Bruno) Responder
        • Mais que isso Gapre, vamos incentivar lideranças que consigam propor outras soluções e quebrem o círculo vicioso Esquerda X Direita, Opposição X Situação, porque no fundo é tudo jogo de compadres; essa vez eu ganho e na próxima é você.

          Ivo / (em resposta a Gapre) Responder
          • Ivo, verdade seja dita: o PSDB no Governo do Estado não cuida de nada disso! E duvido que cuide na prefeitura também! Pela experiência que a cidade de SP teve com Maluf, PT e PSDB, este último sempre foi pior! To nem aí pra essa história de direita e esquerda, não to na Guerra Fria pra ficar me preocupando com isso!

            Gapre / (em resposta a Ivo)
          • Concordo plenamente.
            Mas, e sei que estou sendo repetitivo, qual a opção???
            Tem alguém despontando???
            Só o PSDB que preparou e lançou o Dória “Damien Thorn”.
            Não precisa usar o Google, o Tio Ivo explica: Damien Thorn era o personagem dos livros A Profecia, que viraram filme nos 80s.
            Principalmente no terceiro, quando ele é adulto, e é daí que eu faço a relação com o Dória, TUDO que ele pedia davam, até o presidente dos EUA aceitava seus pedidos, veja o filme….
            Dória, a Besta do Apocalipse versão brasileira, taí o que (não) fizeram na Cracolândia, nem preciso escrever mais….

            Ivo / (em resposta a Ivo)
          • Ivo, vc é confuso e meio doido, além de obcecado por mim. Vc sempre termina com a mesma ladainha de que o psdb é ruim, mas é o mais foderástico da Terra, por isso só ele pode ganhar as eleições na sua visão.

            Tukano enrustido, simples assim.

            Gapre / (em resposta a Ivo)
  3. Eu acredito que se ninguem também utilizassem ônibus a diesel, só utilizassem ônibus elétrico, bondes,VLTs,Metrô ,Trens da CPTM ,bicicletas e carros elétricos garanto que diminuiria muito a poluição. Chegaram a uma conclusão óbvia.

    Felix / Responder
  4. Ih, se depender do gestor carrocrata…..só a partir de 2021 poderemos ter alguma mudança nesse sentido com o fim do mandato dele e olha lá.

    Precisamos de um Bloomberg ou Peñalosa em SP!

    Renato / Responder
  5. esqueçam, o transporte em são paulo, cresce a passos de tartaruga de 3 pés. O Metrô, vai , mas lentamente, os quesitos: BRT, VLT, Trolebus, elétricos em geral. Nada muda a muito tempo, e também não tem perspectivas.
    Cada prefeito que vem , não faz nada diferente. Acho que o ultimo que revolucionou, mas era louco foi o PItta, com o fura fila, que deu resultados foi duramente criticado e é sub utilizado.

    antonio carlos / Responder
    • O Pita revolucionou? Só lançou o Fura Fila,uma linha curtíssima. O que está revolucionando são as Linhas do Metrô e a recuperação de toda infraestrutura da CPTM, antiga Fepasa.

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