SP 461 – A CMTC no transporte urbano de São Paulo

Muito se discute sobre o passe livre no transporte. Uma das alternativas para implantar a modalidade é a criação de uma empresa pública de transporte. A cidade já contou com esta empresa, a Companhia Municipal de Transportes Coletivos, CMTC, criada em 1946 sob o Decreto-Lei Municipal número 365 de 10 de outubro.

Em 1947 a prefeitura transfere o patrimônio da São Paulo Tramway Light and Power Company Limited, que era responsável pelo transportes coletivos na cidade, para a CMTC.

Umas das primeiras ações foi a implantação do sistema trólebus que ocorrerá em 1949, com veículos importados dos Estados Unidos e Inglaterra, inaugurando a linha São Bento-Aclimação, que mais tarde seria a 408A. Também são importados uma frota de 200 ônibus Twin Coach e um sistema de linhas de bondes perimetrais começa a ser implantado com itinerários que não circulam pelo centro da cidade. A empresa detêm 90% do sistema.

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1735 - Bonde Camarão - Av. Celso Garcia - São Paulo - c. 1966

Outra marca da CMTC foi a fabricação dos próprios veículos, sendo trólebus. Na contra-mão, a empresa desativa os sistemas de bondes em 1968, sob a alegação que o modal “atrapalhava o trânsito”.

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O declino da CMTC começa na década de 70, onde em 1975 a empresa tem apenas 14% da frota. Em 1977, um decreto municipal divide a cidade por 23 áreas de operação na qual empresas particulares contratados pela companhia ficariam encarregadas pelo transporte coletivo enquanto as linhas circulares e diametrais passam a ser exclusividade da CMTC.

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Ainda na década de 70, a empresa começa a implantação do plano sistran, que previa 1.280 trólebus e 280 km de rede aérea que se juntariam aos 115 km existentes, com os veículos rodando em corredores exclusivos. O plano começou a ser implantado de fato na década de 80 com a implantação do sistema de tranferência ônibus-trólebus construíndo o terminal da Penha e Vila Prudente.

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A empresa também implanta o integração ônibus-ferrovia, entre a linha Pinheiros-Largo São Francisco, e os trens metropolitanos da Fepasa.

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Já na década de 90, mais precisamente em 1991 entra em operação a primeira linha com entrada pela porta dianteira: 805A-Circular Avenidas. Em 25 de Julho do mesmo ano, é oficializada a municipalização dos transportes coletivos de acordo com a lei número 11.037 aprovada pela Câmara Municipal.

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Em 1993, a CMTC ganha nova administração, porém suas condições junto com o sistema municipalizado estavam precárias. O número de passageiros transportados volta a ter um peso significativo na remuneração das empresas contratadas e a primeira fase de privatização das áreas de operação e manutenção da CMTC é iniciada. Através de três processos de licitação são transferidas a operação de garagens e frota pública.

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No ano seguinte, o transporte coletivo de São Paulo passa a ser operado por 47 empresas privadas. A CMTC é desativada em 8 de março de 1995, e a SPTrans assumo o gerenciamento no transporte coletivo da cidade.


Autor: Renato Lobo

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Paulistano, Técnico em Transportes, Ciclista, apaixonado pelo tema da Mobilidade, é o criador do Portal Via Trolebus.

14 Comentários deste post

  1. Lembro bem do pesadelo que era o péssimo serviço oferecido pela CMTC e do gigantesco cabide de empregos em que se transformou: uma reportagem do Estadao na decade de 80 mostrando que a CMTC tinha um dos maiores indices de empregados por ônibus no mundo; não me lembro mais dos números, mas e’normal estatais brasileiras caírem nesse absurdo. Que Deus e o prefeito Ruinddad nos lev rem deste pesadelo….!

    Lucio Correa / Responder
    • E hoje é o contrário, falta muito ônibus, por isso o transporte é ruim…
      Coxinhas vivem reclamando que passa pouco ônibus nas faixas exclusivas, tem que voltar o cabide de emprego para resolver…

      Filipe / (em resposta a Lucio Correa) Responder
      • Falta onibus porque o prefeito nao investe em trasportes sobre trilhos, com orcamento anual
        da prefeitura de 53 bilhoes daria para investir no minimo 3 bilhoes em monotrilhos ou VLTs.

        Pedro Goes da Silva Januario / (em resposta a Filipe) Responder
        • E quem investe? O governador que faz míseros 2 kilômetros de metrô ao ano?

          • Cláudio estações do metrô custa em torno de 500 milhões a 1 bilhão cada e dois quilômetros de metrô é muito mais que isso.O Governo está tocando 6 linhas de Metrô,VLT e Monotrilho simultaneamente,veja o custo disso.O Governo Federal recebe em impostos de São Paulo em torno de 300 bilhões e só devolve para São Paulo em torno de 25 bilhões,ou seja,menos de 10% e mesmo assim parte desses 25 blhóes é é em empréstimo do BNDES com juros,ou seja,dívida.

            Pedro Goes Da Silva Januário / (em resposta a Claudio Silva)
    • Hoje sim seria viável o retorno da CMTC com preenchimento de vagas através de certame, funcionários sujeito a processo administrativo. Essa época do pesadelo, do cabide de emprego já passou, hoje são outros tempos.

      Wilson Chaves / (em resposta a Lucio Correa) Responder
  2. muito se fala em recriar a CMTC e tornar o serviço “público”. ao invés de fazer propaganda barata, o Viatrolebus poderia informar os sobre o tema.. por si só, “municipalizar” o serviço não vai torná-lo mais barato, nem muito menos significará eliminar a tarifa. se a meta e criar o passe livre, qual o problema de fazer isso com as empresas atuais mesmo? em ambos os cenários, será o contribuinte que pagará pelo serviço, com a diferença que, com as empresas, ao menos um mínimo de qualidade é possível esperar/cobrar
    quem defende a volta da CMTC (ou coisa que o valha) quer mesmo um empreguinho nela, isso sim

    rafael / Responder
    • Boa Tarde Rafael, não existe propaganda barata, aliás, propaganda nenhuma. Nesta semana apenas estamos mostrando a história do transporte na capital. No começo do texto apenas fiz um link com que esta sendo discutido no município. Sobre querer emprego, é uma acusação um pouco dura que você faz, não?

      Renato Lobo / (em resposta a rafael) Responder
  3. O fim de uma emprtesa pública é a entrada de um partido da esquerda que aparelha toda organização, pela incompetência prejudica a boa administração,aí vem um outro partido que não consegue tocar a empresa por estar com inúmeros vícios de aparelhamento e privatiza tudo.Mais ou menos o que está acontecendo na Petrobrás que está mal das pernas a partir de 2003.Nestes casos todos perdem,Empresa,Empregado e principalmente o País que poderia utilizar os lucros e utilizá-los para o bem do povo.Dizem que Estatal não paga imposto,mas antes do pagamento da PLR o Governo tira sua parte nos lucros que é maior que se pagaria impostos.Erundina entrou na Prefeitura aparelhou a CMTC e depois o outro prefeito Maluf privatizou.Qual o benefício que a Erundina fez para o povo de São Paulo e para os verdadeiros empregados da CMTC.Na Gestão Erundina a CMTC fez a maior greve da história de 30 dias.

    Juarez Távola Reinoso / Responder
  4. O maior problema da CMTC era ser estatal. O índice de frota parada por falta de peças simples era absurdo. Passava muitas vezes dos 40%. Quando a Erundina tornou a CMTC uma empresa de transportes com o mesmo status das privadas, ela passou a perder feio para essas. Diversas linhas passaram para as particulares por conta da frota parada. E fora outros absurdos tão comuns em estatais brasileiras. Melhor deixar as particulares operarem e a prefeitura gerenciar.
    A agilidade é muito maior.

    Narciso de Queiroz / Responder
  5. Um dia quem sabe a COMPANHIA MUNICIPAL DE TRANSPORTES COLETIVOS DA CIDADE DE SÃO PAULO-CMTC-SPO,não retorna a trafegar e circular na Cidade de São Paulo,e ser reestatatisada,juntamente com a EMPRESA METROPOLITANA DE TRANSPORTES URBANOS DO ESTADO DE SÃO PAULO-EMTU-SP,COM AQUELES MODERNÍSSIMOS ônibus.Estou torcendo,e que haja também a parceria entre CMTC-EMTU-SP-FEPASA

  6. também sonho com a volta da CMTC,era a melhor empresa de transporte coletivo,foi sucateada pelo Sr Paulo Maluf,só porque ele não gost ava de motorista e cobrador,o cabide de emprego continuou,só quem trabalhava, quem fazia São Paulo trabalhar é que foi expulso da empresa,mecanicos de altissimo conhecimento,funileiros que refaziam as carrocerias dos onibus novamente,só ficando os engravatados,que não sabe o que é transporte coletivo

  7. sou ex-funcionário da CMTC,trabalhei lá por 02 vezes,de Janeiro/78 á Fevereiro/79 e Maio/86 á Março/93,tenho muitas saudades de lá,tenho vontade de ver meus antigos colegas mas parece que é meio impossível

    Fabio / Responder
  8. Prefiro a CMTC afinal todo mundo reclama de tudo, até se tivesse um motorista particular na porta de casa pago pelo governo ainda sim teria um monte de reclamação. Usei muito a CMTC na minha adolescência pra estudar e trabalhar (naquele tempo menor de idade podia trabalhar) e pra mim a CMTC não era boa era ótima !!!. Era um transporte confortável e que funcionava muito bem, depois municipalizaram ficou uma droga, “sucatas quadradas” …caixotões de lata com um motor na frente pra catar um tanto de gente aqui e despejar lá, até que houve a intervenção da Marta (a Suplicy) ex prefeita, que gerou protestos e pancadarias, implantaram o bilhete único e ta como ta …então antes de criticarem a CMTC como sendo cabide de emprego é bom lembrarem que a municipalização gerou lavagem de dinheiro e formação de cartéis do transporte público em São Paulo a troco de uma prestação de serviço podre !!!

    Alexandre Consuelo / Responder

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